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A saga de Beirute

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| Lysette Lyra * Fui cinco vezes a Beirute nas minhas múltiplas viagens ao Oriente Médio, antes que tivesse sido destruída por uma terrível guerra civil. Uma terra que abrigou pacificamente, por tantos anos, povos de variadas culturas e religiões como cristãos, drusos, mamelucos, maronitas, otomanos, muçulmanos, franceses, etc. De repente, estranharam-se e não conseguiram conviver, provocando uma guerra que durou de 1975 a 1990, deixando-a totalmente devastada. Claro que forças externas instigaram os ânimos do povo com intentos equívocos para tirar partido desses desentendimentos. Cheguei ao Líbano vinda de Damasco. Através de desertos e montanhas, alcançamos o fértil vale de Bekaa. Cultivado há quatro mil anos, suas terras não se cansam de dar boas colheitas. Fica entre as duas cadeias de montanhas, Líbano e Monte Líbano que se erguem paralelas até o mar. De vez em quando éramos surpreendidos por pastores conduzindo rebanhos de peludos carneiros ou árabes transportando pesadas cargas no lombo de camelos. As aldeias construídas de adobe, com suas mulheres trajando típicos vestidos bordados, tinham ficado para trás. Encantamo-nos ao nos deparar com as magníficas ruínas do templo de Baal, cujas colunas de 45m de altura por 2m de diâmetro, foram construídas pelos cananeus, chamados fenícios pelos gregos, em honra ao deus Sol. Por muito tempo foi um dos templos mais deslumbrantes do mundo, mas sofrendo tantas invasões acabou tremendamente massacrado e hoje só restam as colunas, testemunhas de sua grandiosidade. Chegamos a Beirute quando o crepúsculo dourava seus penhascos rubros e iluminava o azul do Mediterrâneo, oferecendo-nos todo esplendor de sua decantada natureza. A peculiar cidade, onde vivia uma população tão cosmopolita, era feia, buliçosa e amável. Suas ruas tortuosas e estreitas agrupavam uma quantidade de edifícios sem graça, porém eram limpas e o comercio sortido e variado. Os bairros residenciais ostentavam prédios altamente luxuosos e, à beira-mar, também chamada Riviára, encontravam-se luxuosos hotéis. Havia várias construções da dos fenícios usadas para restaurantes e museus, muito interessantes, sobretudo em Tripoli, a poucos quilômetros da capital. A guerra civil tudo destruiu e uma nova Beirute foi construída em mais de uma década, graças ao espírito visionário de Rafit Hariri, cujo projeto ambicioso, desafiou a incredulidade de muitos. Foi uma verdadeira Fênix ressurgindo das cinzas. A Beirute arruinada transformou-se em uma metrópole moderna. Com o renascimento da capital, ela não só atraiu turistas como investimentos de capital necessários para relançar sua economia. (*) É escritora.

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