Opinião
Teatro do absurdo
| Anilda Leão * Eugáne Ionesco, autor dramático francês de origem romena, está de novo entre nós, através da montagem, dirigida por Lael Correa, da sua peça A Lição, originalmente levada à cena na França, no ano de 1951. Tendo como produtores executivos os próprios atores Silvio Sarmento e José Márcio Passos ? este, por sinal, andava meio sumido dos nossos palcos ?, o espetáculo conta ainda com o desempenho de Aline Marta, formando um trio que se desincumbe muitíssimo bem dos papéis que lhes foram atribuídos, com muita força e muita garra para levar ao palco do teatro Arena esse autor que é um marco no teatro mundial e que veio a consagrar-se como um dos mestres do chamado teatro do Absurdo. É o próprio autor que assim descreve a sua proposta: ? Eu, pessoalmente, gostaria de colocar uma tartaruga no palco, transformá-la num cavalo, depois num chapéu, num dragão ou numa fonte (...), pois o teatro é o lugar onde se pode ser arbitrário. Com esse texto, Ionesco, no seu modo fantástico de escrever suas novelas e peças teatrais, quer nos demonstrar a opressão e a incapacidade de comunicação humana, onde o homem não passa de uma máquina de falar e onde o automatismo mental revela, mesmo indiretamente, os instintos profundos dos indivíduos. Não podemos dizer que Ionesco seja um autor populista, pois embora seus textos alternem situações ora cômicas, ora dramáticas, tudo é colocado num diapasão extremamente intelectualizado, numa espécie de delírio situado entre a razão e a loucura, o ser e o não ser. Aliás, talvez só mesmo um especialista em psicologia poderia chegar a explicar as motivações mais profundas do autor. O espetáculo fica em cartaz até o fim do mês, sempre aos sábados e domingos, no nosso teatro de Arena, às 20h30. E com uma apresentação extra no dia 2 de agosto no teatro Deodoro, no mesmo horário. Vale a pena ver e prestigiar os nossos artistas e valorizar o que é feito aqui na nossa terra, acabando com essa cultura de achar que só o que vem de fora é que é bom. E encerro parabenizando todos os envolvidos nessa montagem, do diretor aos técnicos, destacando também que a presença do nosso poeta e homem de teatro Otávio Cabral, fazendo a apresentação do espetáculo, foi gratificante para todos os que lotaram o teatro de Arena Sérgio Cardoso. (*) É escritora.