Opinião
Vanuatu
| Jorge Briseno * A Ilha da Fantasia era um seriado de TV que mostrava uma paradisíaca ilha onde os sonhos se tornavam realidade. O ator Montalban no papel de um elegante anfitrião, o senhor Roarke, auxiliado pelo anão Tatoo, saudavam os convidados que desembarcavam. No início de cada filme, Montalban explicava a Tatoo que fantasia cada visitante queria viver na ilha para alcançar a felicidade. Pois bem, alvíssaras! Engana-se quem pensa que isso só ocorre em seriado de TV. Esse lugar existe e se chama Vanuatu. Na verdade são vários lugares, visto que Vanuatu é um arquipélago com 83 ilhas, situado no sul do Pacífico, a 1.800 quilômetros da Austrália. Segundo pesquisa realizada pela New Economics Foundation, com sede em Londres, Vanuatu, com um PIB (Produto Interno Bruto) per capita anual de apenas US$ 2.944, é o lugar mais feliz do mundo, ocupando o primeiríssimo lugar no índice Planeta Feliz. Está bem à frente dos riquíssimos e poderosíssimos EUA, que, possuindo um PIB per capita de US$ 37.800, ocupam a não muito honrosa 150ª posição. O Reino Unido, por exemplo, com um PIB per capita de US$ 29.600, ocupa a 108ª colocação no índice Planeta Feliz. Ambos estão entre os países com menor índice de felicidade do mundo, apesar de todo o dinheiro que possuem. No Reino Unido, a coisa está tão séria que os alunos passarão a ter aula de felicidade. Segundo o governo, 10% das crianças em idade escolar sofrem de depressão severa e falta de auto-estima. Estudos mostram que décadas de crescimento econômico e enriquecimento nesses dois países em nada alteraram a proporção de indivíduos infelizes. A estrada do progresso e da riqueza não os conduziu à felicidade. O Brasil alcançou o 63° lugar. Alerto que essa colocação foi obtida antes do desastre dos nossos jogadores nos gramados alemães. Certamente fomos rebaixados devido ao medroso e infeliz Parreira. Já os nossos hermanos argentinos ? por favor não divulguem ? estão à nossa frente. Ocupam a 47ª colocação. O índice Planeta Feliz abrange 178 países e é calculado através de uma equação que multiplica o nível da satisfação com a vida pelo nível da expectativa de vida. O resultado dessa multiplicação é dividido pelo impacto ambiental que existe em cada país, levando-se em conta o nível de desequilíbrio ecológico decorrente do consumo de recursos naturais para a produção de bens materiais. Os habitantes de Vanuatu não necessitaram voar até a ilha do senhor Roarke para descobrir que um estilo de vida mais simples, despreocupado, despojado e menos consumista talvez seja a chave para a felicidade. (*) É engenheiro e presidente da Casal.