Opinião
O coco, a eletricidade e a responsabilidade
| Marcos Davi Melo * A semana que termina hoje, sábado, pode-se dizer que se iniciou galhardamente no sábado passado com um grande evento: a comemoração dos 40 anos da Sococo, esta empresa orgulha os alagoanos por ser genuinamente alagoana, ser líder de mercado em seu seguimento em todo o País, ter marcante presença internacional e ainda por praticar com regularidade de primeiro mundo a responsabilidade social, esta ainda desconhecida atividade que tanto pode minorar o dramático quadro social predominante em todo o Brasil. Durante a semana ocorreram duros embates com os representantes do Ministério da Saúde que preconizavam o fechamento das portas do Hospital do Açúcar e do Sanatório para o atendimento dos pacientes do SUS portadores de câncer. Entidades filantrópicas tradicionais, que têm relevantes serviços prestados ao Estado (O Sanatório cuidou praticamente sozinho e durante muito tempo do grave problema da tuberculose, atualmente faz a maioria dos atendimentos de média complexidade e dos partos do SUS e o Açúcar é um grande hospital), os dois juntos são responsáveis por grande parte do atendimento oncológico: 39% das cirurgias de câncer e 25% das internações de pacientes cancerosos do SUS em Alagoas. Finalmente, após desgastantes e demoradas discussões, para as quais a postura, o bom senso e a sensibilidade da secretária de Saúde, drª Jacy Quintella foi determinante, os dois tradicionais hospitais vão continuar atendendo pacientes com câncer do SUS. Naturalmente, podem aprimorar alguns dos seus serviços, mas para que se faça um mínimo de justiça é preciso que não só sejam cobrados e exigidos, mas também sejam auxiliados, afinal os pacientes ali atendidos são do SUS. Como se o diabo quisesse piorar uma semana difícil, na terça-feira, só no período da manhã ocorreram mais de 10 quedas de corrente elétrica da CEAL na região da Santa Casa e do Hospital José Carneiro. Equipamentos médicos sofisticados pararam, outros quebraram. Serviços foram interrompidos e pacientes deixaram de ser atendidos. Prejuízos materiais e emocionais variados nos dois hospitais. O consolo foi lembrar que em nossa terra temos homens como o dr. Emérson Tenório da Sococo, que além de trazer ao palco Arthur Moreira Lima, Almir Medeiros, Dida Lyra e Wilma Araújo, é um empresário moderno, de larga visão e detentor de grande responsabilidade social, exemplo concreto entre os que podem contribuir para sairmos do buraco. Ainda existe esperança. (*) É médico e professor da UNCISAL.