Opinião
Amizade dos av�s e dos netos
| Milton Henio * No último dia 26 foi comemorado o dia dos avós. A influência dos avós na vida dos netos é marcada sob vários aspectos, variando de acordo com a situação da vida da criança em relação a eles. Vejamos o caso da criança que mora com os pais e os avós na mesma casa. Por mais paciente que todos sejam, há conflitos. Os avós se interpõem, como é natural, na educação da criança recobrindo-a de mimos, de cuidados, não deixando que os pais a censurem, recriminado-os constantemente porque estão forçando a criança a comer, ou a deixando tomar gelo, ou correr demais etc. Os pais, por vezes, se irritam e se revoltam até havendo o conflito. Resultado: a criança não sabe a quem ouvir, ou então, sabendo que tem nos avós uma proteção segura, desobedece aos pais, fazendo o que quer. Daí surge uma criança com uma personalidade oposta: ou tímida, ou sem educação, metida a engraçada, irritante mesmo. Avô é pai com açúcar ? diz o ditado. E é mesmo. Felizes das crianças que tem avós amigos, porque é tão boa a sua convivência, a sua companhia! Dos meus avós maternos, por exemplo, eu tenho profundas recordações de momentos felizes que com eles passei! Avô é símbolo de querer bem. Dos meus casos clínicos em que há presença de avô, o mais comovente que assisti foi há alguns anos. Uma criança de três anos, um menino criado pelo avô viúvo, fôra atropelado e estava com comoção cerebral. Moravam os dois e uma tia solteirona. Este homem ficou alucinado durante as horas de inconsciência do netinho. Chorava, pedia para ele acordar, prometia presentes, sorvete, enfim todo um quadro de alegrias e de fantasias ele fazia desfilar diante do garoto que dormia profundamente pelo trauma no crânio. Eu o olhava e me comovia de ver que imenso amor aquele homem dedicava a essa criança! Graças a Deus tudo terminou bem e aquele avô voltou a ser feliz. Pois é. Ser avô não é brincadeira. Ser avó, nem se fala. Pedro Bloch conta em suas histórias uma de avô. Diz ele que um seu amigo, funcionário do Banco do Brasil, era avô há seis meses. E o amigo contava: ? Calcule, Pedro, que eu não tinha medo de morrer. Achava que quando a hora chegasse estava tudo muito bem e pronto, só era partir. Agora, que sou avô, fiquei mais covarde mesmo. Tenho medo de morrer. Eu quero ver um neto crescer?. O vovô sentado no banco da praça, com seu chapéu na cabeça ao lado do seu netinho vive cada momento de sua vida. E ele fica pensando a medida que o tempo passa mais aumento à minha vontade de viver. Como este o mundo tem aos milhões... E bom passeio com o seu netinho. (*) É médico.