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Internet�s: uma nova l�ngua?

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| Thaís Nicoleti * Uma nova língua, com certeza, não está surgindo nas salas de bate-papo e nas mensagens em tempo real veiculadas por meio do MSN. Os internautas que, em vez de conversarem, teclam uns com os outros, não estão inventando uma nova língua, como muita gente preocupada com a integridade do nosso idioma tem pensado. O que fazem esses usuários de computador que querem conversar em tempo real é simplificar a grafia das palavras, promovendo uma aproximação com a fonética (até mesmo, talvez intuitivamente, empregando alguns caracteres do alfabeto fonético internacional). Estropiam a camada superficial da língua, ou seja, a ortografia. É fato que muita gente ainda confunde ortografia com gramática, como se esta se reduzisse àquela. Esse é o comportamento daqueles que se assombram a cada vez que deparam com um erro de grafia em alguma tabuleta ou pára-choque de caminhão. Tendem a reconhecer como graves os erros mais visíveis, exatamente esses de ortografia, que se explicam, na maior parte das vezes, pela baixa escolarização. Ortografia é convenção. É preciso aprender o código. A ausência desse aprendizado ou o subaprendizado, em condições precárias, leva ao comportamento intuitivo, que é a fonetização da grafia. Ao escrever ?esseção?, a pessoa lançou mão de um conhecimento da língua. Sabe que o som de C se escreve ora com SS, ora com Ç, por exemplo, e, com base nisso, arrisca uma grafia provável do ponto de vista fonético. Ora, o que fazem os internautas é um pouco parecido com isso. A diferença está na escolarização do usuário da língua. Se um erra a grafia por não ter tido acesso ao que se convencionou como correto, o outro erra por opção, criando um subcódigo ortográfico, de domínio de um certo grupo. É mais ou menos o mecanismo da gíria, que funciona como um subcódigo, geralmente de caráter semântico, cujo objetivo é cifrar a linguagem, tornando-a hermética para aqueles que não pertencem ao grupo e configurando, dessa maneira, um fator de identidade. O ?internetês? é um código ortográfico. Não chega a subverter a estrutura sintática da língua nem mesmo os valores semânticos etc. Por esse motivo, não se pode falar em surgimento de nova língua. Quanto às conseqüências desse uso pelos adolescentes, o tempo dirá, mas é provável que esse subcódigo permaneça restrito ao espaço das salas de conversação on-line, tal qual uma espécie de senha de acesso ao mundo virtual. (*) É consultora de língua portuguesa.

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