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O fen�meno da solid�o

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| Dom Fernando Iório * Sempre sofreu a humanidade a pandemia da solidão. Sobretudo no Ocidente, onde vive a família em desagregação, parece esse fenômeno tornar-se mortífera epidemia. Cada vez mais, sentem-se as pessoas sozinhas, solidão. De maneira alguma cabe-nos afirmar tenha o amor desaparecido, de todo, de nosso planeta. Não deixa, entretanto, de parecer estar em rampa descendente, a caminho do fracasso. Pessoa alguma pode negar não tenha Deus dotado o ser humano de energias suficientes para superar os estados patológicos. É a essa energia de sobrevivência que necessitamos de hoje recorrer, para que menos pessoas sofram de solidão, podendo dela libertar-se mais facilmente. É a solidão doença mental pelo fato de retirar ou reduzir, de maneira perigosa, os contatos de que todos necessitamos para a sobrevivência, à procura do caminho da felicidade. As orientações psiquiátricas e as medicações psicológicas parecem muito longe de oferecer soluções ou mesmo de propiciar os necessários contatos para as pessoas que se encontram na solidão. Bento XVI, na Encíclica Deus Caritas est recorda o primeiro caso de solidão da história bíblica que aconteceu a Adão. A narrativa bíblica da criação fala da solidão do primeiro ser humano, impossibilitado de contactar com os seres criados a quem lhes dera um nome específico. Deus plasma a mulher do próprio Adão, dando-lhe uma beleza arquitetônica capaz de atrair toda vida do nosso primeiro progenitor: ? Eis a carne de minha carne e os ossos dos meus ossos. Agora, encontra Adão a ajuda de que necessitava para superar a solidão. O segundo momento bíblico de solidão vamos encontrá-lo na própria Eva, embora tivesse marido, se sentiu sozinha pelo fato de não poder ter acesso a famosa e saborosa árvore que, se deixasse de lhe ser vedada, poderia dar-lhe acesso à plenitude do conhecimento. Eva deixou-se tentar pelo que poderíamos chamar de bulimia ? a fome devoradora da curiosidade de conhecer o bem e o mal. O resultado dessa bulimia foi a solidão de Adão e Eva que, desejando a fuga de Deus, se sentiram, pela primeira vez, nus. O terceiro caso bíblico é o de Caim que, após cometer o primeiro assassínio da história humana, se sentiu solitário em sua caminhada, lembrando-se, a cada instante, do sangue inocente de seu irmão que lhe não saía dos olhos e, muito menos, do coração. Só o amor e tão somente o amor nos oferece a certeza de nunca estarmos sozinhos, senão seguros na mão de Deus a conduzir-nos pelas pastagens verdejantes, a cada momento de nossa vida. (*) É bispo de Palmeira dos Índios.

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