Opinião
Rigor e cuidados - Editorial
Com a prisão de uma quadrilha de seqüestradores e com o trágico fim de um marginal tido e havido como da mais alta periculosidade, a polícia alagoana recolhe aplausos na comunidade alagoana. No caso Sandrinho, pairam no ar dúvidas acerca da operação que teria resultado na morte de dois perseguidos pela polícia. Segundo informações, o jovem identificado pelo apelido de Galo Cego teria sido morto bem antes de seu suposto comparsa, o que lança sombras sobre a versão oficial do tiroteio onde a dupla teria sido alvejada. O fato inequívoco do apoio de boa parte da população ao fim das carreiras desses jovens delinqüentes não pode fazer o poder público olvidar de suas responsabilidades. Rigor e tolerância zero no combate ao crime são exigências cidadãs, mas deve ser igualmente cobrado o respeito à Lei, particularmente pelos agentes públicos responsáveis pela defesa da própria Lei. Noutro momento de êxito das polícias alagoanas, o desbaratamento da quadrilha responsável por seqüestros, ação que até agora não mereceu nenhuma crítica, recebe justíssimos aplausos de toda comunidade. Que as coisas continuem neste caminho, sem dar tréguas ao crime organizado e sem desrespeito à Lei neste combate. O seqüestro mediante resgate é uma das formas criminosas mais antigas, mais repugnantes e mais cruéis que existem (em todos os países). No Brasil esta modalidade de crime tem crescido nos últimos anos, assim como tem se sofisticado (com a criação de redes terceirizadas pelas quais se espalham as etapas de consecução deste tido de crime). Em Alagoas, esta modalidade criminosa vinha em pleno crescimento ? esperamos que agora, depois de ações como essa, a polícia consiga manter o ritmo, a eficiência e a capacidade de continuar a operar em conjunto (civil, militar e federal). Sem excessos, respeitando a Lei, esse é o caminho.