Opinião
Em busca da espiritualidade
| José Medeiros * Para tentar definir esse planeta conturbado por tantas guerras e tantas violências, encontro uma frase no livro Alma das Catedrais, do Padre Júlio de Albuquerque, intelectual que foi pároco de São Miguel dos Campos: ? O mundo desarvorado era joguete de milhentas ambições que lhe empurpuravam a face multimilenária... O livro escrito em estilo rebuscado, cheio de figuras de linguagem, impressionou-me pela vibração que transmitia. Eu sabia bons parágrafos de cor. Perdi o livro, mas me lembrei dessa frase. Quando mais jovem, tinha a convicção de que as lições da última grande guerra (1939-1944), que matou milhões de pessoas, ajudaria a humanidade a encontrar uma nova filosofia de vida capaz de criar um mundo melhor e uma sociedade mais justa e fraterna. Isso consolidaria uma paz duradoura. Todavia, essas minhas convicções foram abaladas quando surgiram as guerras do Vietnã, Coréia, Kosovo, Iraque, entre tantas; além da cruel violência no dia-a-dia. O que salva, nessa derrocada de sentimentos, é a fé inabalável na espiritualidade, no poder superior e eterno. Jamais o homem se sentiu tão aflito, tão ameaçado, tão carente de segurança, paz e tranqüilidade. Apesar da rápida evolução da ciência e da tecnologia, isso não foi suficiente para vencer contrastes tão presentes nos dias atuais: riqueza e pobreza, violência e paz, honestidade e improbidade. Julgava-se que a ciência, por si só, nos faria felizes. A bomba atômica e avançadas armas de destruição em massa foram um rude golpe nas convicções de quem deseja a paz. Existe um sentimento religioso e místico em cada ser humano, é o que dizem os teólogos. Há necessidade de crer em algo que nos ajude a compreender os fenômenos da vida e da morte. É necessário buscar, em nossas crenças espirituais, as forças necessárias para resistir a momentos difíceis e dolorosos, tão comuns no curso da existência humana. A fé é um grande lenitivo para angústias, desesperos e aflições. Após a tempestade vem a bonança é um ditado da sabedoria popular. Isso vale para o aprendizado de vida do ser humano; por isso, é que continuamos acreditando que, no futuro, teremos um mundo melhor. (*) É médico e ex-Secretário de Educação e de Saúde.