Opinião
Estat�sticas cidad�s - Editorial
Consta de um levantamento realizado pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) que apenas 15 dos 513 deputados federais decidiram não concorrer a nenhum cargo nas eleições deste ano. Entre os motivos mais alegados pelos desistentes estariam a desilusão com a política, custo de campanha, investigação por denúncias de corrupção ou problemas de saúde. No caso específico dos 15 que desistiram da disputa de outubro próximo, cinco são acusados de envolvimento nos escândalos que mais repercutiram na atividade parlamentar nos últimos anos: o mensalão e o esquema de compra superfaturada de ambulâncias. Dos 498 deputados candidatos, 438 (incluindo 77 dos 87 que estão na mira da Comissão Parlamentar de Inquérito Mista (CPIM) dos Sanguessugas) ou 97% deles, querem se reeleger para novo mandato e os outros 45 postulam outros cargos eletivos como senador e governador. Pelos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as 513 vagas de deputado federal serão disputadas por mais de 5.300 candidatos das 27 unidades da federação nestas eleições. Para o Senado há, até agora, 220 postulantes em todo o País às 27 vagas dos que concluirão o mandato de oito anos em 2007. Somente na Câmara cada uma vaga está sendo disputada por mais de dez brasileiros. Números que reforçam o entendimento de que a cadeira parlamentar segue sendo um valorizado objeto do desejo. A imensa maioria cobiça permanecer no posto, outros tantos lançam-se ferozmente à disputa por uma destas vagas. E o eleitor, enfim, está tomando consciência da importância de seu voto? Afinal, o voto (seu voto) é o único caminho para qualquer candidato alcançar o almejado lugar no Legislativo e no Executivo. Quando o eleitor brasileiro entender, de verdade, esse valor, certamente esses números contarão outra história.