Opinião
O L�bano e seu conturbado destino
| Lysette Lyra * O Líbano é o País mais cristão do oriente, mas há também muçulmanos e fiéis de outros cultos. Nas primeiras horas da manhã, depois que o sol desponta, ouve-se o grito dos muezins que corre de minarete em minarete e se mistura ao repicar dos sinos das inúmeras igrejas cristãs. Beirute possui a segunda universidade do mundo. Nessa escola americana estudam jovens de todos os recantos do planeta. No alto do Líbano, a 2.100 metros de altitude, no bosque de Besherreh, estão os famosos, belos e gigantescos cedros. Alguns há cinco mil anos sombreiam o tapete de neve que cobre permanentemente o solo. O culto que lhes devotam os libaneses os promoveu a símbolo do País. Por isso os vemos estampados na bandeira, nas moedas, nos capacetes dos policiais, etc. O Hezbollah nasceu como uma milícia islamita após a invasão do Líbano por Israel em 1982. Apesar de ser o principal movimento de resistência contra a presença dos israelenses no sul do país, o Hezbollah desenvolveu uma série de atividades sociais que abrangem 10% da população libanesa concentradas na ajuda às famílias dos mártires, à saúde, à educação, à reconstrução e à agricultura. É de origem xiita. É considerado como um movimento de resistência por parte dos países árabes e como organização terrorista por certos governos, entre os quais os Estados Unidos, Reino Unido e Israel. Goza de certa popularidade no mundo muçulmano por ter levado o Estado hebreu a deixar o Sul do Líbano. O movimento que conta com 14 cadeiras no Parlamento libanês é dirigido pelo xeique Hassan Nasrallah. O seqüestro de três soldados israelenses pelo referido grupo provocou a discórdia entre o Hezbollah e Israel. Este não admitiu a exigência dos libaneses de que fossem soltos todos os seus compatriotas presos, em troca dos três prisioneiros israelenses. Israel e Líbano entraram em conflito. O principal alvo hebreu é a caça ao braço armado do Hezbollah. Bombardearam sua casa e seu escritório no Centro de Beirute, mas Nasrallah, sobreviveu. Os ataques à capital libanesa foram intensificados. Em troca os mísseis libaneses atacam Israel. O pior é que as principais vítimas são os civis de várias nacionalidades que nada têm a ver com a guerra. Alguns ali estavam a passeio, ou visitando parentes. Lá se vai Beirute ser novamente destruída! Quando o Oriente Médio encontrará a paz? É difícil conseguir uma convivência pacífica para essa região sempre tão conturbada, onde se misturam tantas etnias e religiões! Porque não encontrar um acordo através do respeito e da compreensão? (*) É escritora.