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Opinião

Beirute � Bras�lia

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| MARCOS DAVI MELO * O mundo se preocupa com a escalada do conflito entre Israel e o Hezbollah, que caminha para uma guerra franca entre países (Israel versus Líbano e quem mais?) com conseqüências imprevisíveis e não apenas entre um país e um grupo extremista. Se não por razões humanitárias, mas pelo inevitável aumento nos preços do petróleo, o que incomoda o mundo ocidental, cuja economia, comodidades e vaidades dependem muito dele. Vaidades que não estão ausentes entre os libaneses, virtuosos orientais que abominam e desprezam os vícios da decadente sociedade ocidental. Exemplo sintomático: a boutique de roupas mais chique de Beirute, cujo nome esqueço, mas é a similar da nossa chique Daslu, escorraçada pelos bombardeios israelitas, mudou-se com seu estoque de importados para as montanhas próximas à Beirute, inexpugnável reduto da alta burguesia libanesa, que não pode passar sem usufruir os requintes da alta moda ocidental. A questão árabe-israelense é por demais complexa e no mínimo enquadra-se no axioma de Thomas Paine: o erro que começou há mil anos é tão errado como o que começa hoje, e o acerto que surge hoje é tão certo como se tivesse a sanção de séculos. Para esta antiga e belicosa questão, que move interesses tão dispersos e dispares pelo mundo e não só da região, uma solução salomônica e definitiva parece tão distante quanto Meca está de Brasília. Mas é de Brasília que veio o sinal para se consertar um erro relativamente novo, mas que tem se mostrado tão danoso ao cidadão brasileiro quanto o conflito do Oriente Médio o é para as populações daquela região. A CCJ do Senado aprovou o fim da reeleição, uma excrescência que já se mostrou por demais danosa aos interesses e principalmente aos cofres públicos nacionais. Pode ter dado certo em países onde a democracia e as instituições são mais amadurecidas, como os EUA, mas aqui já se mostrou uma aberração. O cara se elege e no primeiro dia de governo o primeiro pensamento é como preparar a sua reeleição, daí tudo o que vai fazer é direcionado para tal fim, inclusive as despesas estratosféricas com marketing e com o ajeitamento da reeleição. O resto é irrelevante. Agravante: o segundo mandato, na média, tem sido pior que o primeiro. Ninguém é bobo para acreditar que por trás desta iniciativa do Senado sobrepairem o interesse público e os pendores éticos, mas ela é necessária, como água no deserto. É um erro de nascença que só faz crescer. (*) É médico e professor da Uncisal.

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