loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

C�lulas-tronco: desinforma��o e paradoxo

Ouvir
Compartilhar

| EDUARDO DANTAS * Determinadas coisas são difíceis de serem compreendidas. A injustificada e míope cruzada empreendida por setores religiosos contra a pesquisa com células-tronco embrionárias, por exemplo, é uma delas. Células-tronco, em linhas gerais, são células capazes de diferenciar-se em diferentes tecidos humanos, mais comumente encontradas em tecidos embrionários. Possuem potencial quase ilimitada de auto-renovação, e capacidade de originar linhagens celulares com diferentes funções, abrindo um leque de aplicações terapêuticas de possibilidades ainda hoje não suficientemente dimensionadas. Dentre os novos caminhos, os principais avanços possíveis se concentram na luta contra as doenças crônicas degenerativas, cardiovasculares, traumas da medula espinhal, bem como no reparo de órgãos e tecidos lesados, criando um ramo de medicina efetivamente regenerativa. Essas células, em razão de seu rápido potencial de crescimento podem servir para o ?cultivo? e posterior reimplante de ossos, pele e cartilagem, bem como tratamento de grandes lesões ósseas, aplicação mais conhecida como engenharia biotecidual. Este leque de aplicativos levou à aprovação da Lei de Biossegurança, que permite o uso de células embrionárias provenientes de fertilização in vitro com mais de três anos de idade. Em sendo tão benéficas, e abrindo tantos novos caminhos para a ciência, como entender que seu debate ainda esteja sujeito à tanta desinformação e oposição, especialmente nos meios religiosos? É preciso entender que, para a obtenção das células-tronco embrionárias, é preciso fecundar um óvulo, aguardando sua multiplicação em algumas células. Para muitos, estar-se-ia cometendo um abortamento in vitro, com a utilização deste material. Emitem-se, portanto, sinais contraditórios, ao aceitar a retirada de órgãos e tecidos para transplante daquele paciente que tem vida vegetativa, com morte cerebral e parada do sistema nervoso. Entretanto, renega a possibilidade de utilização de células-tronco embrionárias, provenientes de óvulos fecundados em clínicas de fertilização, que seriam naturalmente descartados, destinados ao lixo, por serem malformados ou incapazes de gerar vida se implantados em um útero. Conduzidas com responsabilidade e ética, tais pesquisas podem resolver problemas até então tidos por insanáveis, valorizando a vida. Difícil mesmo é explicar aos parentes e portadores do mal de Alzheimer e Parkinson, que argumentos de cunho religioso ? baseados em um distorcido senso de progresso ? tentam barrar novas terapias capazes de salvar vidas, de trazer dignidade e esperança de cura. (*) É advogado e especialista em Direito.

Relacionadas