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Opinião

A universidade

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LUIZ SÁVIO DE ALMEIDA * Talvez, o sentido da pertença seja um dos principais elementos a serem atacados para uma reformulação da Universidade Federal de Alagoas; não sei se existe, e se existe deve ser muito baixo. Isso, ao contrário, por exemplo, da vida universitária americana, onde as pessoas se apresentam como um homem de Harvard, Michigan... É que a excelência da universidade vai ligar-se à possibilidade da carreira profissional. Lembro-me de uma carta que Alberto Passos Guimarães me escreveu tirando onda e perguntando como se sentia um homem de Michigan nas Alagoas. O sentido de pertencer a uma instituição deve estar profundamente arraigado, para que, inclusive, nasça o senso da responsabilidade para com ela. Não havendo pertença, a universidade é fortuita, havendo ela é vital no sentido de que se incorpora à vida. Estamos praticamente recuperando a antiga idéia de alma mater, entendendo como a substância que constitui. Em termos coloquiais, trata-se de bater no peito e dizer: ?Eu sou desta universidade!?. No fundo, entenda-se que ela deve ser uma referência para a vida atual e para a vida futura. Claro que esta mesma universidade deve dar motivos para que haja vinculação efetiva de pertencimento. Apesar de sua idade, a Universidade Federal de Alagoas deve entender-se em construção e a própria construção ao ser partilhada, pode gerar uma linha mais aprofundada de compromissos e a gesta de compromissos deve ser coletiva, percorrendo a todos os setores da universidade, bem como envolvendo a própria comunidade. Isso é possível? Claro que sim, é apenas um problema de ser efetivada uma prática conseqüente, a começar das mínimas coisas e o primeiro elemento é que não somos um rebotalho de universidade. Temos problemas, mas eles não anulam a nossa potencialidade. Somos pobres, mas isso não reduz a nossa importância e dignidade. Parece meio angélico, mas é necessário que cada um tome posse da universidade, preserve esta universidade, pois a mudança que precisa ocorrer está na ordem direta da responsabilidade de cada um, apesar da circunstanciação de uma política econômica estranguladora. A universidade precisa entender que ela abriga necessariamente a polêmica, a discussão, a liberdade na investigação, mas isto não pode levar a que se esgarcem, rompam-se os laços que devem mantê-la integral e, destes laços, o principal é a causa comum de dar-lhe dignidade e participação. Não se luta cartorialmente por uma universidade, luta-se pelo papel que ela deve desempenhar na vida pessoal e na vida da comunidade, na integração entre o que se aprende e o ser que se constrói e o mundo que se constrói. Um não pode fugir ao outro e a universidade deve ser entendida como mediação necessária, eficaz e, portanto de resultados. O sentido da pertença desenvolve a lealdade, aproxima duas situações nitidamente diferentes e termina por determinar uma linha de compromisso mútuo: a universidade está para o cidadão, do mesmo modo que o cidadão está para a universidade. Deste modo, ela estará sem porteiras, sem barreiras, atuante e justificando-se perante a comunidade a cada passo do processo histórico. Não resta dúvida de que a acomodação destrói a universidade, corrompe as suas bases e faz com que se viva uma farsa. Um imenso mundo de faz de conta se desenvolve interna e externamente. Responde-se de modo fictício ao aluno, ao cidadão e à comunidade. A farsa pode satisfazer à ilusão de alguns, mas não à realidade de todos. Faz pouco, falamos em cotidianizar a universidade, mas a isto deve estar envolvido o sentimento da pertença. (*) É DOUTOR EM HISTÓRIA E PROFESSOR DA UFAL

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