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Dilapida��o impune - Editorial

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Um dos mais eloqüentes símbolos do abandono dos bens públicos e da desconsideração para com o futuro pode ser encontrado às margens de qualquer estrada, ou mesmo linha férrea. Na maioria dos casos, essa apropriação ilegal constitui-se num processo de privatização forçada, levada adiante pelos despossuídos sob a conivência das autoridades. Desgraçadamente, no Brasil, se cristalizou um entendimento canhestro de que a coisa pública é coisa de ninguém, é um bem sem dono. Há séculos, a propriedade pública brasileira é retalhada, ocupada, vilipendiada sem que a este processo dilapidador seja oferecida resistência à altura. Às margens das rodovias, das ferrovias, nas encostas íngremes ? quando tais áreas têm pouco valor comercial ? são os pobres os agentes privatizantes. Sob o risco das vidas de famílias inteiras, constroem seus barracos como se fossem meio-fio de pistas de alta velocidade, ou ignoram os riscos de residir debaixo de fios de alta tensão, ou de comerciar com trens passando rente ao parapeito de seus estabelecimentos. Os ricos, preservando os riscos as suas vidas, edificam mansões em áreas de preservação ambiental, abraçam praias inteiras, etc. Quando se trata do bem público, unificam-se as visões de pobres e ricos: área pública é área de ninguém à espera de dono. Nessa marcha, um dos grandes prejuízos sofridos por toda a comunidade foi identificado pela reportagem publicada na Gazeta de domingo: descontroladas, as invasões de áreas públicas comprometem a conservação e ampliação de rodovias e ferrovias e até a manutenção de linhas elétricas. Lembrar-se-ão do poder público quando advirem os previsíveis desastres. Aí, quando danos irreparáveis tiverem acontecido, explodirão protestos de ONGs barulhentas (que não se fazem ouvir nesses dias nos quais a prevenção ainda é possível).

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