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Reflex�o sobre os valores

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| DOM FERNANDO IÓRIO * Eles estão aí, talvez originalmente prontos, nas coisas, nos símbolos, nas pessoas, nas regras e normas. A verdade é que cada um de nós tem valores individuais, muito frequentemente, considerados os mais certos, os mais válidos. São eles os orientadores de nossa maneira de caminhar na vida. Ao longo da nossa história, nós nos portamos por um conjunto de normas e regras, todas de certa maneira, carregando o peso de seu valor. Estou em que precisamos refletir sobre o valor que consideramos nosso, avaliando como cada um se constitui. Mas, que dizer dos valores? Valor é aquele sinal que colocamos sobre as coisas para hierarquizar nossas relações no mundo. Ao longo de nossa caminhada, vamos aprendendo e apreendendo do mundo as maneiras várias de viver. Vamos através das relações com e no mundo, construindo nossas verdades pessoais, nossos paradigmas individuais. Nem sempre refletimos se estão eles em consonância com os valores universais, grupais, ainda bem que os percebamos como válidos. Nós damos valor às coisas. Nós é que, pelas nossas necessidades, sejam de sobrevivência ou de sociabilidade, impregnamos as coisas de um valor, que, de maneira original, não lhes é própria. Somos, a cada momento, chamados a repensar os valores éticos e morais, a ver se aproximam, do valor maior, o valor universal, protótipo de todos os valores. A vida, hoje e agora, é pautada em objetivos, em um poder-ser ou um poder vir-a-ser de cada um, e, mais ainda, num poder-ser coletivo, em um vir-a-ser da humanidade. Esse nosso futuro, individual e coletivo, vai depender do valor que emprestamos, em cada época, a tudo que nos circunda. Atualmente, novos valores substituíram os antigos. Novas formas favorecem novas descobertas, novas aventuras, novas constituições de grupos e sociedades. Entretanto, não podem ser vivenciados levianamente, como se não tivessem conseqüência nesse futuro que sempre se encontra lá, na frente, a nos observar se chegamos até lá inteiros, íntegros, como seres humanos, vencedores dos mercados maliciosos do chamado progresso. Somos chamados a desfazer tanta inversão de valores. Acha-se o político mais importante que seu mandato concedido pelo povo; acham-se os dirigentes mais importantes que aqueles que dirigem; alguns religiosos se acham mais importantes que o próprio Deus do qual se proclamam mensageiros; homens e mulheres consideram-se mais importantes que sua união como casais. (*) É bispo de Palmeira dos Índios.

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