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Caixa 2, quem n�o faz?

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| ANDRÉ WEINMANN * No dicionário temos que Caixa 2 é o sistema contábil usado por pessoas físicas e jurídicas para registrar recursos não declarados na documentação legal. No popular é o que se fatura por fora. Luis Inácio Lula da Silva afirmou que todos os partidos políticos (inclusive o seu) usam o Caixa 2. Um sentimento de indignação tomou conta do País... fiquei me perguntando o porquê, não é uma afirmação verdadeira? Será que usar pode e falar não? Prenda-o, ele falou! Parece-me hipócrita essa indignação, parece-me que o foco da discussão não é fazer ou não fazer, o foco é se foi bem-feito ou não, se somos pegos ou não. Atire a primeira pedra quem nunca fez. Não estou falando apenas dos políticos e empresários, estou falando de todos nós. Quem não acrescentou despesas e/ou omitiu receitas no IR, quem não informou a menos o preço pago, quem não comprou sem nota fiscal (foi só um CD), quem não molhou a mão do guarda, deu um jeitinho, fez um gato (água, luz ou TV a cabo)? Afinal já pagamos tantos impostos e de nada adianta. Eles acabam desviando mesmo (a questão das pedras é metafórica, ok?). Parece-me que o modelo de nossa sociedade ainda é fundamentado na Lei de Gerson, no levar vantagem em tudo. Em um lampejo de moralidade bradamos: desviar recursos da merenda escolar é um absurdo! Os outros podem? A máxima da resignação é: rouba, mas faz! No outro lado do mundo, quando um usurpador é pego, a desonra pode levá-lo ao suicídio, ao haraquiri. Pelas bandas de cá, tudo se resolve em uma farta festa à beira-mar ? ou à beira do lago (cuidado com o caseiro). R$ 1 trilhão em 2004! Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário é essa a fortuna não declarada pelas empresas. Estamos falando de sonegação fiscal. A Lei 8.137/1990 nos diz que constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo mediante conduta tais como omitir informação, inserir elementos inexatos, prestar declaração falsa. Observem que a lei nos fala em prestar declaração fidedigna ao que praticamos. A condição essencial (sine qua non) para impossibilitar a ocorrência de Caixa 2 (ou de qualquer outra mazela financeira) é a eliminação do intervalo entre o praticar e o declarar (é quando os rastros são apagados), ou seja, teremos de viabilizar o modelo onde o declarar não seja uma opção e sim uma conseqüência automática do praticar! Tecnologia tem de sobra, o que nos falta é vontade! (*) É analista de Sistemas de Informação ([email protected]).

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