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O jeitinho brasileiro

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| JOSAN PEREIRA BARROS * Diante de um panorama nacional tumultuado e em crise com seus valores; diante do desrespeito ao dinheiro público vitimado pela má gestão, pela incompetência administrativa e por uma corrupção vista e divulgada como corriqueira e natural, fazendo parte da vida do País como se fosse um procedimento administrativo; diante da injustiça, da falta de justiça, do favorecimento tido como esperteza, da falta de favorecimento aos que gritam, choram e morrem todos os dias nas filas ou leitos de hospitais sucateados ou de fome Brasil afora; diante da destruição dos valores humanos e da troca destes pelo mal fadado jeitinho brasileiro, que para tudo se acha uma forma de burlar a lei e as normas; só uma coisa nos vem a mente: é nossa a responsabilidade de mudar o nosso Brasil. Somos nós os responsáveis pela liberdade, pela justiça, pela honestidade, pela ética, pelo respeito, pela transparência, pela dignidade, pelo bem-estar social e também, pela falta de todos eles. Seguir o mesmo caminho seguido até agora, só nos levará ao mesmo lugar. Ao lugar que já estamos. Essa não é a visão de sociedade que combina com os avanços democráticos conquistados nas últimas décadas. A conduta da democracia deve ser a do monitoramento das ações administrativas, do cuidado com o bem público, da ética na política e nas ações de cada cidadão, da preservação da vida e do patrimônio natural. Precisamos reformular nossos modelos de gestão pública. A transparência, a ética, a tomada de decisões de forma democrática e aberta, as prestações de contas periódicas das ações, são preceitos básicos de quem gere o patrimônio público e deve continuar sendo exigido pelo povo. Nunca esquecidos, apesar do esforço de alguns em tornar tais princípios, obsoletos. A austeridade, seriedade e severidade no cumprimento das normas e leis são as principais características de uma gestão. Ser austero, rígido, de caráter sério, são as maiores qualidades de um gestor. As leis e as normas precisam ser cumpridas. Se não há concordância, estas devem ser modificadas com a participação de todos os envolvidos, nunca desrespeitadas. A inobservância da lei gera a observância da ditadura, da vontade de uma minoria sobre a de uma maioria, dos estados de sítio, da intolerância de uns poucos sobre a vontade de muitos, da depredação do patrimônio coletivo, da corrupção. Esse jeitinho não combina com os avanços democráticos e econômicos que a sociedade atual conquistou. Para que se faça justiça sem jeitinho, digamos não a esse tipo de jeitinho brasileiro. (*) É engenheiro civil.

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