loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Cultura e ci�ncia

Ouvir
Compartilhar

| EDUARDO BOMFIM * A temática do engajamento nos campos das artes e cultura em geral, sempre causou profunda polêmica, quer seja nas instituições que a promovem ou no mundo artístico, intelectual. Não é um assunto de fácil abordagem. A controvérsia estende-se à área da ciência. Deve o cientista possuir plena consciência e responsabilidade sobre as conseqüências da utilização da sua produção, mesmo na área acadêmica? Essa é uma discussão em que jamais existiu algum tipo de consenso, reclama respostas conceituais e filosóficas. No entanto, em vários períodos históricos, as relações entre esses dois campos importantes da produção humana e a ação política de Estado, das nações, tornaram-se muito estreitas. De tal maneira que se confundiram. E muitos dos artistas, cientistas responderam pelas conseqüências dos seus feitos, suas obras. Assim foi no período da Alemanha nazista. Nas décadas mais recentes, correspondentes à hegemonia neoliberal, o assunto adquiriu novas dimensões. Já não se tratava do papel do Estado na condição de propulsor de estratégias científicas e culturais. Surgia com bastante ênfase, um novo ator, dirigente desse processo, o mercado e a globalização. Muito embora, essa discussão venha a esconder algo vital: a presença sempre determinante do Estado nacional em consonância aos movimentos do capital, financeiro ou não. Principalmente, em relação aos objetivos geopolíticos do grande império. O escritor e colunista Luís Fernando Verissimo diz que as empresas americanas ligadas ao vice-presidente Dick Cheney, ganharam com exclusividade, contratos para reparar os estragos causados pela guerra no Iraque. O complexo industrial militar norte-americano, sempre denunciado, é uma poderosa força econômica e política nos EUA. Elege e derrota presidentes. Na cultura, a resistência de muitos artistas, intelectuais, em defesa da nossa própria identidade é propositalmente confundida como xenófoba, inimiga das inovações produzidas pela humanidade. Dá-se o contrário, os interesses do mercado são impostos hegemonicamente ao país. Noves fora panfletarismo, inexistem artistas e cientistas neutros, etéreos, acima dos confrontos travados entre os povos que buscam emergência, enfrentando Hollywood ou o Pentágono. (*) É advogado.

Relacionadas