Opinião
Opus Dei e TFP (II)
| DOM EDVALDO G. AMARAL * Continuando o artigo anterior de comparação entre essas duas instituições, Opus Dei e TFP, desejo dar aqui algumas informações sobre a TFP, sigla de Tradição, Família e Propriedade que reconhece como seu iniciador o prof. Plínio Correia de Oliveira, descendente dos Correia de Oliveira, senhores de engenho em Pernambuco. Aluno dos jesuítas em São Paulo, era eminente tomista. Conheci-o, proferindo a aula inaugural do ano letivo de 1951, no Instituto Pio XI, em São Paulo. Em 1960, no auge da disputa pela reforma agrária, escreve o livro Reforma Agrária ? uma questão de consciência, em que em nome exatamente da tradição, dos valores familiares e da propriedade, que ele considerava intocável, opõe-se ferozmente à concretização da distribuição da terra em nosso País. Dois bispos no Brasil, d. Geraldo Proença Sigaud SVD e d. Antônio de Castro Mayer, dois bons teólogos tomistas, aderiram a esse movimento. Em Campos, cidade do Norte do Estado do Rio, onde era bispo, d. Castro Mayer, edita-se o Jornal Catolicismo de forte tendência conservadora. Daí, o movimento evoluiu para um conservadorismo extremado, chegando a negar na pastoral e, sobretudo na liturgia, a autenticidade do Concílio Vaticano II e até a legitimidade dos papas, a partir de João XXIII, para eles o último papa legítimo. Recusam a missa que eles chamam de Paulo VI e rezam a missa em latim no rito aprovado por Pio V no século 16. Nessa altura, d. Sigaud abandona o movimento e começa a apoiar a reforma agrária e até efetivá-la com terras improdutivas de sua diocese. D.Castro Mayer infelizmente aderiu ao bispo Lefebvre, líder dos conservadores oponentes ao Concílio Vaticano II e de modo particular à reforma litúrgica e ao ecumenismo. O bispo Lefebvre, apesar de todos os esforços de conciliação de João Paulo II, ordenou quatro bispos, sem mandato apostólico, incorrendo na excomunhão automática do cânon 1382, combinado com o 1013. Único bispo participante da triste cerimônia era o de Campos, d. Castro Mayer. Ultimamente, no final do pontificado de João Paulo II, foi conseguida uma sofrida reconciliação, com a aceitação do Concílio Vaticano II da parte dos conservadores e, da parte da Santa Sé, da tal missa de S. Pio V, em latim e de costas para o povo, entre outras coisas. Acho que só por aí se pode medir como o antigo TFP, hoje espalhado em 13 países, com maior ou menor dose de conservadorismo e adesão ao ensinamento pontifício, está numa posição antípoda ao Opus Dei, que como já fiz notar se caracteriza por sua adesão total ao Papa e ao Magistério Supremo da Igreja. (*) É arcebispo emérito de Maceió.