Opinião
Padre Ibiapina
| DOM JOSÉ CARLOS MELO, CM* Estamos celebrando o bicentenário do padre José Antonio de Maria Ibiapina, que carinhosamente o chamamos: Padre Mestre Ibiapina, o santo de Santa Fé. Estive na Diocese de Guarabira no Estado da Paraíba, precisamente na região de Santa Fé, centro de irradiação missionária de um sacerdote que buscou na vida de santidade transformar a fidelidade e o amor à santa Igreja Católica em encontro do Evangelho da vida e da esperança. Um significativo número de bispos, sacerdotes e fiéis teve a oportunidade de conhecer o incansável trabalho desse missionário dedicado à causa dos pobres. O evento também contou com a presença do senhor núncio apostólico dom Lourenzo Baldisseri, que presidiu a convite do bispo diocesano de Guarabira, dom Antônio Muniz, os atos comemorativos do bicentenário. Esteve também presente o sr. governador do Estado da Paraíba, e aproximadamente um número de 12.000 pessoas. José Antonio Ibiapina, nasceu em 5 de agosto de 1806, em Sobral ? CE. Filho legítimo de Francisco Miguel Pereira e Tereza Maria de Jesus, iniciou sua vida acadêmica na cidade de Icó ? CE e continuou em Fortaleza. Em 1828 ingressou no seminário de Olinda, mas logo deixou e continuou sua caminhada acadêmica, tornando -se advogado, juiz de Direito e até deputado geral, eleito para se dedicar à causa dos pobres do Nordeste. Sua ordenação sacerdotal foi em 1853, aos 47 anos, considerado para a época, vocação tardia. A causa de sua beatificação já foi introduzida em Roma. Ibiapina, na linguagem indígena, significa terra limpa, terra cultivada. O padre Ibiapina, chamado carinhosamente de Frei Ibiapina, jamais poderá ser esquecido pelo seu trabalho missionário, social e político voltado para o bem e amparo dos sertanejos abandonados e desprezados. Segundo importantes relatos históricos, ele percorreu mais de 600.000 km pelas estradas do Piauí, Ceará, Rio grande do Norte, Paraíba e Pernambuco, com sua batina de brim preto, a pé, a cavalo, ao sol e à chuva, enfrentando doenças, animais ferozes e poderosos fazendeiros. Construiu 22 Casas de Caridade para atender a carentes e órfãs, que eram entregues às irmãs de Caridade, por ele fundadas, popularmente chamadas de beatas. Todos os assistidos aprendiam um trabalho específico e eram reabilitados para a dignidade da vida social. O missionário não é sempre aquele que é obrigado a oferecer, ele também deve receber o dom e permitir ao outro de retribuir. A ação missionária hoje tem de ser encarada como algo que vem para questionar, provocar e iluminar. Padre Ibiapina com sabedoria afirmava: ?Coloquei a caridade no centro de minha vida sacerdotal?. (*) É arcebismo metropolitano de Maceió.