Opinião
Atitudes rebeldes
| JOSÉ MEDEIROS * Sem rebeldia e sem contestação não há adolescência. Adolescente submisso é sempre uma exceção. Essa frase é repetida por estudiosos desse período de vida em que se instalam divergências, conflitos e contestações com pais e mestres. Há os que tentam compreender os adolescentes, sabendo das mudanças que ocorrem nessa fase, convivendo bem com rebeldias e intransigências. Conto-lhes um fato ocorrido recentemente. Uma professora foi visitar um casal de sua amizade, que tem uma filha adolescente. Ao chegar, percebeu o ambiente pesado, e, por mais que disfarçassem, notou que algo transtornara a família. A garota tinha os olhos vermelhos, inchados de tanto chorar. Os pais demonstravam nervosismo e ansiedade. O chão em que pisavam não parecia estar coberto de poeira de estrelas, para usar uma conhecida expressão poética. O que aconteceu? Relataram o problema: a filha insistia, batia o pé, comunicando que ia fazer tatuagens na perna e no pescoço; e colocar um piercing na língua. Eles não concordavam, eram contra e não abriam mão do ponto de vista. O conflito se estabelecera. A garota ameaçava sair de casa... ou tomar uma medida mais drástica. Tentei explicar a ela que seus pais eram seus amigos, mas lhes cabia a obrigação de fixar limites e orientá-la. As tatuagens apresentam riscos de alergia e possíveis inflamações posteriores. Embora seja, algumas vezes, uma obra de arte na pele, enfrenta incompreensões e contestações. Registra um momento na vida da pessoa, do qual pode arrepender-se depois. Quanto ao piercing, mostrei ser contra, pois é comum, após ser colocado, na língua, transformar-se numa ferida que custa cicatrizar, sobrevindo infecção. Por que tatuar? Por quê marcar o corpo com sinais cutâneos que não podem ser retirados, pois se fixam embaixo da pele pelo resto da vida? Afirmação pessoal, vaidade, preocupação com a beleza física, vontade de chamar atenção sobre si? Muitos jovens e adultos já aderiram a mais esse modismo. A filosofia oriental nos ensina que não se deve fazer algo pela manhã do qual poderá arrepender-se à tarde. Após muita discussão, os pais chegaram a um acordo com a filha adolescente; foram vencidas divergências que o assunto suscita. (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde.