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Ranilson Fran�a, o guerreiro dos guerreiros

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| CÁRMEN LÚCIA DANTAS * O Museu Théo Brandão, sempre palco das grandes comemorações populares, iluminado pela alegria, brilhos e cores das mais fortes e verdadeiras tradições da cultura de raiz, amanheceu, nesta segunda-feira, de tarja preta em sua fachada. Nas paredes do belo casarão ecoavam, por toda parte, cânticos de dor dos mestres, rainhas e liras, dos almirantes e gajeiros, das dianas, das baianas e de todos os condutores dos nossos folguedos populares que, em coro com seus figurás, prestavam as últimas homenagens ao folclorista Ranilson França que nos deixa aos 53 anos, no auge de suas atividades em favor da revitalização do folclore alagoano, com muitos sonhos ainda por realizar. Discreto, atencioso, humano no que a humanidade tem de mais nobre, Ranilson pertencia a uma casta de pessoas superiores que nos dão, em todos os momentos, lições de como se viver bem, sempre prontas a compreender as mais diversas e também as mais atarantadas atitudes que se cometem no dia-a-dia do trabalho e das relações pessoais. Calado, modesto, sempre disponível a ouvir, respeitoso, ombro amigo de todas as nossas queixas e dos queixumes, também era a figura do pai protetor dos mestres e das rainhas do nosso folclore. Âncora para os mais velhos e exemplo para os jovens, Ranilson dedicou sua vida ao folclore alagoano com fidelidade e muito respeito pelo produtor dessas manifestações. Bebia na fonte das informações mais autênticas por conviver, na naturalidade de seu cotidiano, com o que existe de mais puro, mais simples e mais alagoano das nossas tradições. Tinha o carisma do popular e a curiosidade intelectual dos eruditos. Começou na Chã do Pilar, sua terra natal, a ensaiar os primeiros interesses pelas festas populares, pelas apresentações dos Fandangos e pelos renhidos desafios de violeiros e emboladores. Com Emanuel Fortes, seu conterrâneo, aprontava as sãs traquinagens de meninos do interior, lambuzados do caldo doce da mangueira do vizinho ou soltando fogos em louvor aos santos festeiros, São João e São Pedro. Ambos, meninos ainda, banhavam seus sonhos na lagoa Manguaba e acalentavam a esperança de continuar os estudos em um centro maior. Do Pilar para Maceió foi só uma questão de primeira oportunidade. Na capital, Ranilson conheceu os folcloristas da época (Théo Brandão, José Aloísio Vilela, José Maria de Melo, Pedro Teixeira) e, a exemplo de outros jovens de sua geração, começou a freqüentar as rodas dos intelectuais do folclore e a codificar suas informações colhidas espontaneamente na sua Pilar. (*) É museóloga.

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