Opinião
Valores hist�ricos - Editorial
Finalmente, o Estado brasileiro reconhece à cidade de Marechal Deodoro o status de patrimônio histórico nacional. Ontem, finalmente, foi assinado o tombamento da primeira capital de Alagoas. Antes tarde do que nunca! Poder-se-ia contar a crítica pela demora no lombo do governo federal, mas a bem da verdade, boa parte do atraso no reconhecimento do valor da cidade de Marechal Deodoro deve ser debitado a nós mesmos, os alagoanos da gema. A crítica pela demora no reconhecimento nacional não deve ser ignorada, mas devemos ? enquanto alagoanos ? nos autocriticar (e corrigir os erros) pelo descaso para com o patrimônio histórico e cultural contido em Alagoas. Mesmo sem a ajuda do tombamento oficial, as autoridades municipais e estaduais, e o povo, não deveriam ter permitido tanta destruição. Vejamos este caso da nossa primeira capital: berço do proclamador da República e de figuras de grande valor como dona Rosa da Fonseca (e sua prole), Tavares Bastos (pai e filho), Rosalvo Ribeiro e muitas outras personalidades marcantes, palco de combates históricos entre holandeses e nativos, a urbe de Marechal Deodoro precisava estar melhor conservada, o que poderia ser feito ? mesmo parcialmente ? por sua própria comunidade. Outro exemplo: Porto Calvo, cidade de grande importância para a história brasileira, testemunha de grandes acontecimentos desde o século 17, totalmente arruinada. Todo o casario antigo de Porto Calvo foi eliminado, não sobrou nem a memória do alto da forca onde foi executado Domingos Calabar. Não ficaram também para contar histórias nem as imagens dos santos nem mesmo as portas e janelas originais da centenária matriz. Festejaremos o tombamento nacional da cidade de Marechal Deodoro e apostemos que atos como este nos despertem a capacidade de valorizar e admirar o nosso patrimônio.