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Opinião

Os imprescind�veis

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| EDUARDO BOMFIM * O recente desaparecimento do folclorista Ranilson França, abriu um enorme flanco na defesa das nossas raízes culturais. Dedicou a sua vida à luta persistente, difícil, pelas nossas manifestações genuinamente populares, sempre ameaçadas. A grande verdade é que as lendas, crenças, canções, representantes das nossas permanências, fundamentais ao processo das renovações artísticas do povo, são vistas, no geral, como algo exótico. Poucos, muito poucos, compreendem esses dois aspectos das nossas identidades, como algo indissociável. Ranilson deixou-nos cedo, mas cumpriu o seu fado com a vocação de um sacerdote. Nesses tempos de pós-modernidade, descaso pelas raízes e identidades de uma sociedade, principalmente aquelas originadas dos deserdados, das camadas subalternas, ele remou contra a maré. Mas subiu o rio, enfrentou as correntes adversas e foi vitorioso como exemplo e conquistas. Estamos vivendo o período que marca os cinqüenta anos do falecimento do dramaturgo e poeta alemão Bertolt Brecht. Outro que resistiu às investidas dos que se opunham ao seu teatro de vanguarda, revolucionário. Posicionado, reflexivamente, ao lado dos oprimidos, contra as tiranias que o perseguiram persistentemente, minuciosamente, como um adversário a ser calado, batido. Os seus oponentes serão esquecidos. Brecht continua atual e bastante vivo. Mas o que existe em comum entre a trajetória dos dois? Brecht era politicamente engajado, militante atávico, marxista em sua vida e obra. A resposta encontra-se em uma das afirmações do dramaturgo alemão: aqueles que lutam toda a vida são imprescindíveis. Não importa a sua coloração partidária, o seu matiz ideológico. Mas a dedicação à luta pela causa dos que teimam em sobreviver com suas raízes, manifestações coletivas. Pouco importa a religião ou a opção política que professe. Terça-feira passada assisti pela televisão a um especial sobre cultura de resistência e renovação. Uma entrevistada considerou que vivemos, na atualidade, um desprezo por quem abraça uma causa, um ideal, dedicado às transformações, sociais ou artísticas. Uma época cínica. São ciclos históricos. Mas, são nesses tempos que os imprescindíveis são fundamentais. (*) É advogado.

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