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Opinião

Um jornal de 145 anos

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| DOM EDVALDO G. AMARAL * No mês de julho p.p., L´Osservatore Romano, o jornal do Vaticano, completou 145 anos de ininterrupto serviço ao papa e à Santa Sé, na defesa da fé e da religião. É um órgão da imprensa diária que se intitula, em sua edição italiana, jornal político e religioso. Ele tem um ponto de vista original e importante a apresentar aos seus leitores: observar as coisas do mundo a partir de Roma, a partir do papa. Não é o órgão oficial da Santa Sé. O boletim oficial da Santa Sé chama-se Acta Apostolicae Sedis, editado pela Secretaria de Estado, com os textos oficiais, normalmente em latim ou na língua original, na qual foram emitidos. Já L´Osservatore Romano tem edição diária em italiano e atualmente, tem edições semanais em francês, em inglês, em português, em espanhol e a mais recente, em polonês. A edição portuguesa editada no Vaticano, como todas as demais, é transmitida por Internet para Aparecida, onde os exemplares são impressos e difundidos para todo o Brasil. Os Salesianos são responsáveis pela direção administrativa e a direção técnico-tipográfica está confiada ao irmão Salesiano José Canesso. João Paulo 2º o chamou: ?Voz atenta e vigilante da atividade do papa, missionário pelas estradas do mundo?. Nesse quase século e meio, L´Osservatore, fundado em 1861, fiel à romanidade de seu título, viveu as vicissitudes do Rissorgimento italiano, quando presenciou a Roma pontifícia tornar-se capital da Itália unificada e a Cúria romana refugiar-se dentro dos muros leoninos, em condição incerta, que parecia provisória. Assistiu e acompanhou de perto, os 2 grandes Concílios, Vaticano 1 (1870) e 2 (1962-65). Lançou ao mundo a voz corajosa de Bento XV quando chamou a 1º Guerra Mundial (1914-1918) de um inútil massacre, como aliás, são todas as guerras. Documentou os Pactos Lateranenses, que criaram a cidade do Estado do Vaticano em 1929. Viveu de perto os horrrores da 2ª Guerra Mundial numa Roma ameaçada pelos americanos e depois de 1943, convulsionada pelas lutas dos nazistas contra os partigiani, inimigos dos nazis e de Mussolini. Quando os enviados do Duce em busca de judeus invadiram a Basílica de São Paulo fora dos muros, que pertence ao Estado do Vaticano, protegida pela extraterritorialidade, o órgão do papa com ironia prognosticou no título de famoso artigo Hodie mihi, cras tibi ? ?Hoje foi para mim, amanhã será para ti?. Realmente, pouco depois, quando Roma foi dominada pelos aliados, os nazi-fascistas buscaram refúgio no território do Vaticano. O perfil que dele traçou papa Wojtyla tem validade permanente: L´Osservatore deve dar uma visão cósmica da vida da Igreja fortemente ligada à cátedra de Pedro, sem descuidar a imagem de uma Igreja aberta às expectativas do mundo. (*) É arcebispo emérito de Maceió.

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