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Tristes bandeiras

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| MARCOS DAVI MELO * Nacionalmente mensalão, sanguessugas, violência. Aqui, atraso, miséria, sem-terras espaçosos, exacerbados e violência. Cenários desoladores que se refletem no ânimo do eleitor. Desse período pré-eleitoral persistem algumas imagens desanimadoras, se não deprimentes. As bandeiras na orla, independentes das cores, empunhadas por miseráveis, a cata de algum dinheiro para botar feijão na panela. É um dos exemplos mais desoladores da falta de envolvimento da população com estas eleições. Tristes, e claramente desmotivadas, a não ser os cobres que vão ganhar no fim do dia, não sei quanto ganham por dia de bandeirada (soube que dez reais), seja sob sol ou chuva, causam dó, principalmente quando são pessoas mais idosas, que antes já sofreram muitas eleições e por certo muitas decepções e frustrações. Nada tem a esperar a não ser a pouca grana que virá ao fim do dia. Aos domingos de manhã, os dois principais grupos antagônicos se misturam ali na Ponta Verde. Ao contrário de seus mantenedores, eles convivem bem: é encarnado misturado com azul, como se fosse um CRB x CSA de compadres. Pela convivência amistosa entre os participantes, nessa disputa está havendo um conluio, pois provavelmente todos estão percebendo o mesmo óbolo. Em um domingo destes, vi um pouco de alegria: uma jovem de bandeira azul trocou dentadas em um sanduba com um rapaz de bandeira vermelha, também alguns goles de um refrigerante foram de boca a boca. Entrelaçadas as bandeiras, é provável pela roça-roça, que dali tenha saído um xumbrego. O futuro pimpolho nascerá com que cor? Pode-se garantir que os porta-bandeiras vermelhos votam com o seu candidato e os azuis com o seu? Quem sabe? Ou isto não terá nenhuma importância, que é o mais provável. Afinal, dizem os sábios, o que vai definir estas eleições é a propaganda na televisão e no rádio. Afirmam ainda os sábios: a nova legislação não permitirá mais os abusos vinculados ao poder da dinheirama. Mas quem acredita que alguém se elege somente com a boa imagem, com o bom passado, com os serviços prestados? Pelo que se vê a cada eleição o processo fica mais viciado, mais votos são comprados, mais esquemas são amarrados e mais desanimadores são os resultados para o eleitor. E se espraiam ao vento as bandeiras, tristes, famintas e desoladas, tal qual o ânimo do eleitor. (*) É médico e professor da Uncisal.

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