Opinião
Precisamos decifrar Alagoas
| JOSIMAR DOS SANTOS * O Tribunal Regional do Trabalho da 19ª Região (Alagoas) vem desenvolvendo o projeto Direito do Trabalho em Debate, por meio do qual são feitas palestras e discussões sobre temas relevantes No dia 3 de agosto, o convidado foi o alagoano professor-doutor Cícero Péricles, que fez um perfil da economia de nosso Estado, indicando as causas da desigualdade social tão gritante. A origem dessa desigualdade, que vem se perpetuando como um ciclo vicioso, seria a concentração da terra e da renda nas mãos de poucos. A quase totalidade do contingente populacional somente tem a opção de vender sua força de trabalho por preços módicos, o que implica na inexistência de um mercado interno forte o suficiente para dinamizar a economia. Essa é uma explicação interessante, mas não responde uma pergunta crucial: por qual motivo somos o Estado do Brasil com o segundo pior Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M, referência ano 2000)? Sim, porque todos os Estados nordestinos, guardadas peculiaridades, foram submetidos ao mesmo fenômeno ocorrido em Alagoas. E nós, em relação aos outros Estados da região, temos muitas vantagens! Possuímos a menor porção de território no Sertão. Temos as melhores belezas naturais, o que poderia dinamizar o turismo. Nossa matriz energética é privilegiada, com o gás natural, o álcool e a biomassa da cana. O Rio São Francisco sempre esteve a nossa disposição para projetos de irrigação, piscicultura e para o consumo humano. Por qual motivo, então, estamos em pior situação que os demais Estados nordestinos? Infelizmente veio a nossa mente uma resposta possível para a pergunta acima formulada. Será que a nossa elite é a mais perversa ou a mais incompetente da região? Ou será que existem outros motivos? E aqui conceituo elite como o conjunto daqueles que são detentores do poder econômico (os que concentram terra e renda), do poder político e do poder do conhecimento (aqueles 3% que, segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral referentes ao ano de 2005, possuem o 3º grau). Concluindo, queremos afirmar que estamos inquietados com as respostas que podem ser dadas as nossas perguntas. Suscitando o debate, digo que a sociedade alagoana busca alguém que possa, de uma forma definitiva, esclarecer nossos questionamentos. O povo de Alagoas clama: responda-me ou devoro-te! (*) É juiz titular da 2ª Vara do Trabalho de Maceió.