Opinião
Partiu Ranilson Fran�a
| MILTON HENIO* No próximo dia 22 será comemorado em todo o Brasil o Dia do Folclore. Em Alagoas haverá muita tristeza nessa data. A chegança, o reisado, a dança do coco, o pastoril, enfim, toda essa gente simples que participa dos folguedos populares em nossa região, estará chorando com uma saudade imensa do seu condutor ? o professor Ranilson França. Convivia com ele nas reuniões mensais do Instituto Histórico e ficava admirado do seu entusiasmo, de sua garra, de sua simplicidade em tentar lutar para conseguir projetar o nosso folclore pelo território nacional. Não podemos esquecer nessa época em que se comemora o Dia do Folclore, do professor Pedro Teixeira, o grande professor do Ranilson em relação aos nossos folguedos populares. Ranilson ficava como criança diante de um circo, encantado, quando via seus personagens executarem com uma graça sem igual, a mistura da música, do ritmo e das cantigas. Era um apaixonado por Alagoas e por tudo que dizia respeito a sua gente. Todos somos viajantes no tempo. Temos hora de chegar e momentos de voltar. E cada um que chega, diz um poeta indiano, constrói uma casa, depois deve partir e deixar para os outros essa moradia, sem mesmo olhar para trás. O Museu Theo Brandão serviu de abrigo para o corpo de Ranilson em sua despedida. Nele estão lembranças grandiosas do passado e do presente do nosso folclore. Carmem Lúcia, sua presidente, cuida e vive cada momento daquele museu como se fosse a sua própria casa. Lá estão as memórias dos grandes folcloristas de Alagoas. Fecho os olhos e vejo os folguedos na Praça do Centenário no meu tempo de adolescente: ?Gente velha não se casa/fica pois a esperança/faze logo o testamento/e me deixa a sua herança?. O folclore é isso. O povo amando, sofrendo, trabalhando, divertindo-se, morrendo, fazendo cultura e fazendo riqueza. Esse é o objetivo do folclore, como dizia Câmara Cascudo, grande folclorista potiguar. Ranilson partiu muito moço. Aos 53 anos nos deixou cheio de sonhos, de projetos, de desejos bons para o povo simples de Alagoas. É isso aí. A morte é nossa companheira. Não podemos separá-la da vida. Enquanto ela não chega contemple, caro leitor, as belezas que a vida lhe proporciona. Olhai os lírios do campo e percebam sempre que as coisas mais belas da vida estão sempre nas coisas mais simples. Percorremos sempre com muito esforço longos e desgastados caminhos procurando a felicidade e não percebemos que aquilo que mais procuramos, muitas vezes está mais perto do que imaginamos. Ranilson foi feliz convivendo com seu jeito simples. (*) É médico. ([email protected])