Opinião
T�tica e estrat�gia
| DOM FERNANDO IÓRIO * Há aquela sutil, mas essencial distinção a fazer: existem soluções parciais e globais, na vida. Na prática, o importante é saber: como chegarei ao fim, como realizarei o que desejo? Falar de fim implica, necessariamente, recordar o fim, numa palavra: colocar-se no plano temporal da vida que, como todos sabemos, acaba. É, por conseguinte, fundamental ter em conta a gestão do tempo, quando se procura atingir aquele fim, aquela meta, aquele objetivo. Vamo-nos servir das categorias tática e estratégia. O verbete tática, extraído da linguagem militar, indica a habilidade, a arte de descobrir, de maneira mais proveitosa, tudo quanto permite ganhar uma batalha. Trata-se de atingir preciso objetivo, ainda que limitado, como, por exemplo, a conquista de uma cidade. Por outro lado, a estratégia programa, a longo prazo, as sucessivas fases de combate e organiza os recursos e os meios para vencer a guerra. Tanto é assim que o nosso projeto deve ter sempre em conta o fim, a totalidade do tempo. Se assim é, algumas coisas devem ser enquadradas num discurso estratégico, outras devem estar limitadas a tempos determinados colocando-se no plano tático. Jamais, nunca devemos confundir tática com estratégia. Mesmo quando as ações coincidem, suas regras são diferentes. O grande engano do nosso tempo é confundir tática e estratégia: assumindo a tática como estratégia e rejeitando refletir sobre um longo período de tempo e num plano mais realista e global. A pessoa sensata tem sempre sob controle os dois tempos: vive, de todo, imersa no presente e, ao mesmo tempo, reconhece o hoje, como o possível último. Pensar que a morte pode estar sempre presente e que o amanhã não é seguro repugna a nossa consciência psicológica; mas, sendo verdade, é a atitude certa do próprio tempo. Rejeitando a visão abstrata da nossa realidade humana, afastando dela os variados problemas, compete-nos asseverar que estamos diante da arte de viver e de morrer que nos oferece horizontes para uma concepção e uma prática de vida que poderíamos denominar prática da sabedoria. (*) É bispo de Palmeira dos Índios.