Opinião
Doen�a pol�tica - Editorial
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) informou, anteontem, que os recursos públicos para a saúde destinados anualmente para cada brasileiro são um dos mais baixos do mundo ? mesmo entre os países do chamado Terceiro Mundo. Enquanto na Argentina são reservados US$ 362 para cada cidadão (e no Uruguai US$ 304), no Brasil a distribuição per capita é de apenas US$ 140 ? cerca de 10% do que é gasto anualmente por pessoa com saúde pública em países da Europa, no Japão e no Canadá. Por esses últimos números, quem está se candidatando nestas eleições deveria estar ? desde logo ? apresentando seus projetos, suas avaliações e suas propostas de ação imiediata nesta área. Afinal, como se pode ver pelos números (e números não mentem) não são verdadeiras as declarações governamentais (dos últimos governos e não apenas destes governantes que encerram seus mandatos em 2006) sobre a saúde como prioridade. Pelos números, o diagnóstico é que a saúde pública no Brasil, pelo menos na última dúzia de anos, é algo secundário ? apesar de maciças doses de investimento publicitário para tentar passar ao público versões diferentes. Entre 1998 e 2002, essa prática fez escola. Sob a cortina de fumaça da propaganda governamental, aumentam os problemas enfrentados diariamente pelos usuários SUS (Sistema Único de Saúde), do qual depende a maioria da população brasileira (em nosso Estado são mais de 90%). Dentre essas vítimas, algumas chegam a recorrer à Justiça para conseguir medicamentos quando têm direito a recebê-los de graça. Mas não faltam recursos para alimentar a moléstia da corrupção e do desvio de verbas, como ocorreu no caso da máfia dos sanguessugas. E neste cenário de doença política crônica, quais candidatos apresentam propostas coerentes e apropriadas para mudar este rumo, e estes números, na saúde?