Opinião
Supersti��es de agosto
| JOSÉ MEDEIROS * Um escritor, de meu conhecimento, diz que não é supersticioso. Porém, se vai por uma calçada e encontra uma escada no caminho, não passa por baixo dela; não porque ache que isso dar azar, mas por temer que alguma coisa caia em sua cabeça. Faz uma referência ao número 13, que, no seu entender, incomoda, mas é pura superstição. Nos Estados Unidos, onde morou, muitos prédios não têm o número 13, nem o 13º andar, nem apartamentos com esse número. Entretanto, o 13 de agosto, quando ocorre numa sexta-feira, lhe provoca calafrios. Pelos meus cálculos, já se passaram 20 anos, desde o momento em que estive na fase final de um negócio bancário, que considerava da maior importância. Preparava-me para ir ao banco, quando alguém lembrou que estávamos no dia 13 de agosto, uma sexta-feira, com todos os azares próprios dessa data. Os negócios feitos nesse dia nem sempre dão certo, acrescentou. Não cedi aos argumentos e fui ao banco, embora preocupado com os possíveis malefícios dessa data. Para minha surpresa e felicidade, o negócio deu certo. Comprei um imóvel rural, uma fazendola, que, se não me deu lucro, fez-me voltar as minhas origens, à tranqüilidade da natureza, ao verde do campo e ao esverdeado dos montes em derredor. Ali, passei felizes momentos de minha vida. Toda medalha tem cara e coroa, toda crença encontra circunstâncias que podem abalar convicções. Ao longo dos anos, sempre nos meses de agosto, acontecem fatos que marcam minha vida; por vezes, a morte de amigos queridos que deixam vazios e saudades. Agora, em agosto, morreu Ranilson França, um dedicado defensor do folclore alagoano. Uma perda sentida. Agosto é o mês do folclore e Alagoas possui uma rica e diversificada cultura popular, festas populares coloridas e animadas, que acompanho desde a infância. Não há como deixar de lembrar do professor Théo Brandão, um abnegado do saber popular e de Pedro Teixeira, pioneiro e divulgador de nossa cultura folclórica. Devemos desejar que as infelicidades e os traumas ocorridos ao longo dos agostos, transformem-se em gostos e motivos de alegria nos próximos anos. Dessa forma, teremos motivos para acreditar que essas superstições são meras coincidências. (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde.