Opinião
O roubo no Museu Ermitage
| LYSETTE LYRA * Há poucos dias o mundo foi surpreendido pela notícia de um roubo de 221 peças do famoso Museu Ermitage, que fica na cidade histórica russa de São Petersburgo, fundada às margens do Rio Neva, no século 18, por Pedro, o Grande. Bela e aristocrática foi, por muito tempo, a capital do país. É a segunda cidade em importância e o seu maior porto. Grande centro industrial, aí teve inicio a célebre revolução comunista encabeçada por Lênin, que derrubou a monarquia em 1917 e que tanta desgraça espalhou pelo país. Felizmente em 1999, esse regime foi banido da nação, mas os chefes antigos logo se apossaram das riquezas da Rússia através de privatizações fraudulentas. Durante o governo ditatorial São Petersburgo passou a chamar-se Leningrado. É atravessada por canais que drenam sua terra pantanosa e pelas pontes que os cruzam. Cidade imponente, onde se elevam palácios majestosos e ricas igrejas ortodoxas de bojudas cúpulas douradas. O Museu Ermitage ocupa o antigo palácio dos arquiduques russos e foi iniciado 1754 pela Imperatriz Catarina 2ª que comprou, de um marchand alemão, 225 pinturas, dando origem a uma das coleções mais importantes da época. Foi, então, dada a ordem a todos os embaixadores para adquirirem outras obras de arte em diferentes países, enchendo-se, o Ermitage, de preciosos trabalhos artísticos. Depois da revolução, o museu se enriqueceu com os tesouros saqueados das ricas mansões dos nobres. Hoje possui mais de três milhões de peças, constituídas de quadros célebres, mobílias ricas, objetos em âmbar e ouro, relógios, jóias, tinteiros, porcelanas, a maior parte pertencente à antiga nobreza. Atualmente ocupa vários prédios, tão grande é o seu acervo. Em 1999, Yuri Boldyrev, antigo auditor do museu, denunciou, pela Rádio de Moscou, a descoberta de mecanismos que permitiam roubar, sem controle e na impunidade, as riquezas do Ermitage. As grosseiras violações do sistema de inventário, denunciadas pelo Tribunal de Contas, teriam servido de base para a abertura de um inquérito criminal, mas, segundo o auditor, chegaram ordens superiores para que ele não se envolvesse no assunto. Semana passada, 221 jóias, de alto valor, desapareceram do museu. A polícia russa anunciou ter aprisionado três suspeitos, entre os quais o marido e o filho de uma antiga zeladora do estabelecimento, falecida misteriosamente no último outono. Boldirev afirmou que os investigadores encontraram bodes expiatórios, mas que o roubo não se deu sem a autorização da direção. Recentemente o presidente russo, Vladimir Putin, ordenou ao governo que fizesse um inventário dos tesouros guardados não só no Ermitage como em todos os museus do País. (*) É escritora.