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E agora, Ranilson?

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| LEDA ALMEIDA * Dia 14. Alagoas acorda sob a notícia de que Ranilson França, o guerreiro mestre dos mestres, deixou a todos nós para brincar nas alturas com Théo Brandão e Joana Gajuru. Ainda atônitos, não sabemos dimensionar os efeitos da sua ausência na cultura popular alagoana. Atarantados nos indagamos: E agora? Quem vai segurar o ganzá? Quem, dentre todos nós, fará o mapeamento dos grupos brincantes das Alagoas? Quem acolherá, tal qual um pai amoroso, os mestres da nossa cultura? Quem irá abrir mão dos seus fins de semana para ressuscitar grupos esquecidos no interior do Estado? Quem, na contramão do pensamento quase único, levantará bandeiras em defesa de rainhas e mestres desassistidos? Quem com sua simplicidade e grandeza comandará o engenho de folguedos nas noites de quintas-feiras no Museu Théo Brandão? Quem, como Ranilson, será a luz do farol capaz de iluminar os caminhos daqueles que já se percebem na noite sem possibilidade de amanheceres? A perda de Ranilson para a cultura popular alagoana é incalculável. Não se trata da perda de um pesquisador no sentido que comumente encontramos, ou seja, um estudioso asséptico que se distancia do seu objeto de pesquisa, para, numa pretensa neutralidade, elaborar estudos teóricos. Não. Trata-se da perda de um combativo e impetuoso folclorista, um homem abnegado, encantado pelas artes da sua gente, que, corajosamente mergulhava de corpo e alma no folclore das Alagoas, que dançava uma dança onde inexiste sujeito e objeto, mas sim sujeitos que se respeitam, que se amam e até se confundem numa existencialidade carente de pão e farta de beleza, para além de qualquer teoria ou para além de qualquer teórico. Por essas e tantas outras razões, no mês em que se comemora internacionalmente o Folclore, a Associação de Folguedos Populares de Alagoas (Asfopal) e o Museu Théo Brandão de Antropologia e Folclore reverenciam Ranilson França e cessam seus festejos. Se os céus têm motivos para a festa, cá na terra, no entanto, choramos desolados a sua ausência. Daqui a pouco, decerto, reagiremos, sabedores que somos da necessidade de reacender nossas esperanças para que não calem os tambores e o espetáculo possa continuar. (*) É diretora do Museu Théo Brandão.

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