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Jo�o Amazonas

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EDUARDO BOMFIM * Faleceu no dia 27, segunda-feira, aos 90 anos de idade, o presidente de honra do Partido Comunista do Brasil, João Amazonas de Souza Pedroso. É um nome que se despediu da vida e assumiu o seu lugar na história brasileira. O genial Karl Marx afirmou que os homens fazem a sua própria história, mas não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, ligadas e transmitidas pelo passado. Assim sucedeu, também, com o histórico dirigente comunista. Sim, porque pela sua vontade, e de muitos outros, vivos ou mortos, o Brasil seria hoje um país socialista. Mesmo assim, contribuiu para o avanço da luta do povo brasileiro, com grande destaque e sacrifícios de um revolucionário marxista, firme em seus princípios, abnegado e de especial talento. Pertenceu à boa cepa dos comunistas forjados na safra da escola da Terceira Internacional Comunista. Participou e dirigiu a jornada guerrilheira do Araguaia durante a época da luta contra o regime militar. Sobreviveu a tremendas tempestades ideológicas e delas extraiu experiências críticas, teóricas, contribuindo para o avanço da luta revolucionária no Brasil. Estendendo-a, assim como o seu prestígio, ao movimento comunista internacional. Compreendeu a nova realidade, com o término das primeiras experiências socialistas na URSS e no leste europeu, passando a propugnar pela unidade dos diversos partidos que continuaram em todo o mundo defendendo a bandeira de uma sociedade verdadeiramente comunista. Partindo do conceito marxista de que a teoria não é letra morta, mas em constante de-senvolvimento, procurou sempre responder aos desafios das modificações operadas na sociedade e na luta de classes. Neste sentido, compreendeu a necessidade do avanço de um programa socialista adequado à realidade brasileira. Sua cultura e características particulares de um país continental, complexo, contraditório e composto de extraordinárias desigualdades sociais, apesar da sua enorme riqueza, em todos os sentidos da palavra. No combate contra a hegemonia mundial do neoliberalismo defendeu a centralidade tática e estratégica contra este sistema ideológico e teórico, que ratifica brutal acumulação e centralização de riquezas do capital nos dias atuais. Para tanto, bateu-se firmemente na defesa da unidade popular e de uma ampla frente nacional contra o imperialismo, em especial o norte-americano. Nestes tantos anos de militância, tive a oportunidade de conviver mais de perto, durante um período, com o dirigente principal do PC do B. João Amazonas possuía um estilo espartano de vida e dele não fazia gênero ou apologia. Pelo contrário, era discreto. Durante o período de lazer, ouvia música clássica. Em nossa terra Caeté, admirava as belezas da Pajuçara, Ponta Verde e não dispensava uma boa água-de-coco, olhando o pôr- do-sol findar-se esplendorosamente. A tarefa inacabada, a utopia realizável, o aprimoramento constante na compreensão da realidade brasileira e do desenvolvimento das lutas de libertação nacional e social, continuam gigantescas tarefas do povo brasileiro, dos comunistas e de todos os revolucionários e patriotas. João Amazonas cumpriu dignamente o seu eminente itinerário de brasileiro, internacionalista, comunista e dirigente partidário. (*)É ADVOGADO

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