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Opinião

�s margens do lago

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| EDUARDO BOMFIM * Meses atrás, sumiu do vídeo um dos melhores analistas da televisão brasileira. Como profissional, trabalhava para a mais poderosa cadeia de informação e mídia do País. Sabia, portanto, das restrições e limites dos seus comentários. Buscava, no entanto, sobreviver profissionalmente, com dignidade. Sem maiores justificativas convincentes, desapareceu da tela. Algum tempo depois, surgiu uma discreta explicação através do próprio: ?Recuso-me a participar de linchamentos?. Todos sabem que Martins foi militante de esquerda, da luta armada, nos tempos mais jovens. O programa continuou, mas, com todo o respeito aos seus colegas, perdeu muito em vivacidade, nas análises dos fatos da política nacional. Reapareceu em outra rede de televisão. Espero que na mesma linha anterior. Através de artigo polêmico, em um portal da internet, o jornalista declara que o efeito pedra no lago já era. É o que ele chama do descolamento eleitoral dos pobres, da classe média. Considera um fenômeno relativamente novo, onde as margens também têm algo a dizer para o centro. Quer dizer, a formação da opinião pública tornou-se bem mais complexa do que antes. Até então, as preferências dos segmentos médios irradiavam às camadas populares, criando um campo eleitoral, na maioria das vezes decisiva ao resultado do pleito, em especial, nos confrontos majoritários. Prefeitos, governadores, senadores e presidente da República. Franklin considera que ao contrário de outras épocas, as ondas provenientes do centro do lago (classe média), toparam com um dique, situado, grosso modo, nas proximidades da classe C. Não só não chegaram às margens do lago, como, bloqueadas, retornaram ao centro, afetando e confundindo os formadores de opinião. Esse núcleo, que blinda as posições dos setores médios, encontra-se fundamentalmente entre os brasileiros que ganham salários na faixa entre dois a cinco mínimos. Nada abala o convicto apoio a Lula. O povão foi para um lado e os médios em sentido oposto. Um fenômeno eleitoral. O jornalista considera a possibilidade de inversão dos papéis. Ou seja, a grande maioria da sociedade deve influenciar os votos dos formadores de opinião. Elegendo Lula, presidente, com imensa votação. (*) É advogado.

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