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Opinião

Ainda Igreja e pol�tica

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| CÔNEGO HENRIQUE SOARES * Tratando da relação entre a Igreja e a política, expliquei, no artigo passado, que a Igreja se envolve em política enquanto busca do bem comum e ação que deve ser guiada por princípios éticos: é a questão do rumo, dos valores, do sentido, das prioridades da política que interessa à Igreja. Não se envolver com a política de modo algum significaria não se interessar pelo destino do homem e da sociedade, significaria agir como se o mundo nada tivesse a ver com o Deus de Jesus Cristo e o Deus de Jesus nada tivesse a dizer ao mundo! Reduzir-se-ia Jesus a um Senhor de sacristia; ele já não seria aquele que renova todas as coisas e nós não mais seríamos suas testemunhas no mundo! A política, enquanto compromisso com a busca do bem comum, é sim dever e direito da Igreja. Ela quer servir à formação da consciência na política e ajudar a crescer a percepção das verdadeiras exigências da justiça e, simultaneamente, a disponibilidade para agir com base nas mesmas, ainda que colidisse com situações de interesse pessoal. Outra coisa, bem diversa, é a política como proposta programática ou envolvimento partidário. Quanto a isso, Bento XVI é claro: ?A Igreja não pode nem deve tomar nas próprias mãos a batalha política para realizar a sociedade mais justa possível. Não pode nem deve colocar-se no lugar do Estado. A sociedade justa não pode nem deve ser obra da Igreja; deve ser realizada pela política?. Bento XVI conclui: ?Mas toca à Igreja, e profundamente, o empenhar-se pela justiça trabalhando para a abertura da inteligência e da vontade às exigências do bem?. E o envolvimento político-partidário de padres e religiosos? Diz o santo padre: ?O dever imediato de trabalhar por uma ordem justa na sociedade é próprio dos fiéis leigos?. Em outras palavras: a orientação da Igreja é a de sempre: que padres e religiosos não se envolvam em política partidária, não se candidatem nem se filiem a partidos políticos ou abracem bandeiras partidárias. O padre ou religioso que faz isso, desobedece à Igreja e presta um desserviço à causa do Evangelho. Aliás, se alguém ama a Igreja, que não vote em padres ou religiosos para cargos eletivos! Há muitos leigos competentes, sérios e honestos que podem assumir a peleja política. A cartilha de educação política da Arquidiocese coloca-se, portanto, nesta linha: formar a consciência cívica dos cristãos, ajudando-os a dar sua contribuição na construção de um mundo mais de acordo com o pensamento do Cristo. (*) É sacerdote e professor de Teologia.

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