Opinião
Lula, Alckmin e o SUS
| MARCOS DAVI MELO * O Guia Eleitoral pode ser chato, ridículo em vários momentos, principalmente quando se apresentam determinados candidatos, com suas propostas absurdas, mas em alguns raros momentos ele pode mostrar a posição dos candidatos majoritários em relação a questões críticas para a sociedade brasileira. Pode mostrar principalmente o conhecimento e a seriedade com que o candidato encara o problema e a sua proposta para resolvê-lo. Assim foi esta semana, quando Lula e Alckmin se pronunciaram sobre a questão da saúde, um problema grave que atormenta os brasileiros, principalmente o pobre que depende exclusivamente do SUS. Lula apareceu no horário eleitoral alardeando que o SUS é uma maravilha nacional que deve ser exportada para os países do terceiro mundo. Certamente não poderá ser exportado para os nossos vizinhos Argentina, Uruguai e até Paraguai onde os investimentos em saúde per capita são respectivamente quatro, três e duas vezes maiores que no Brasil. Talvez para a Bolívia ou Equador, talvez. O óbvio é que Lula nunca utilizou o SUS. O SUS é um sistema que tem méritos em sua formulação, entre eles o Programa de Saúde da Família (PSF), que, todavia, a cada dia mais sofre ingerências políticas das prefeituras e se deteriora. Questões outras, como os medicamentos de alto custo, a falta de remédios, as filas e o acesso ainda são tormentosos para a população, além da periclitante questão da urgência e da emergência, como em Alagoas, onde a heróica UE vive sobrecarregada. Mas, mesmo em sua formulação, o SUS tem deformações graves decorrentes do seu viés ideológico: as referências não são dadas pelo aprimoramento, mas por ser estatal ou não, o que despreza a qualidade. Lula quando alardeia que o SUS é uma beleza padrão exportação, demonstra desconhecimento da realidade da saúde brasileira. Alckmin, pelo contrário, nesta questão, não só por ser médico, mas por aparentar bom senso e seriedade, reconheceu publicamente algumas verdades absolutas: uma, a defassadíssima tabela do SUS que há mais de 10 anos não é reajustada, precisa sê-lo; outra: a situação das Santas Casas e hospitais filantrópicos no Brasil é crítica, a maioria (95%) está falida e precisa ser socorrida. Os hospitais filantrópicos precisam ser socorridos (segundo Alckmin) porque são o melhor parceiro do SUS, quem mais atende a pobreza em todo o País e a um custo muito baixo para a União. Promessas de campanha são promessas, mas que podem mostrar um pouco do perfil do candidato, podem sim. (*) É médico e professor da Uncisal.