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O sil�ncio comunica

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| DOM FERNANDO IÓRIO * O silêncio é precioso momento de comunicação. Há inúmeras ocasiões em nossa caminhada, em que o silêncio fala muito mais do que o discurso. Parece ainda presente, na retina de nossos olhos, aquele instante indizível, quando poucos dias, antes de seu passatempo para a outra vida, João Paulo II se aproximou da janela de seu apartamento, donde, costumeiramente, se dirigia ao povo e permaneceu em silêncio, porque a palavra já não lhe brotava nos lábios. Em silêncio olhava a multidão comocionada procurando descobrir a lição daquele momento que se apoderava dos homens e mulheres de todas as idades, das mais diversas raças, de todas as etnias, das mais variadas denominações religiosas. São o poder e a força do silêncio. Sua extraordinária eloqüência gerando aquela comunicação superior a exigir nova capacidade de ouvir. Num momento da história, em que somos dominados por ruídos, sons estrepitosos, torna-se primordial refletir sobre o valor e o mistério do silêncio. Cada um de nós tem sua experiência a respeito dele, quiçá única. Cada pessoa conhece os valores, senão também os limites do silêncio. Há silêncios que unem, outros que dividem; uns que angustiam, outros que exprimem amor; alguns que levantam suspeita, outros tantos que sugerem compromisso com a verdade. Há o silêncio do absoluto vazio, além daquele outro, fecundo, capaz de gerar reflexão. Carrega o silêncio consigo extraordinária riqueza de conteúdo que, de outra forma, não se poderia expressar, a não ser na força da surpresa e na capacidade de maravilhar. Por isso mesmo, torna-se o silêncio aquela dimensão de comunicabilidade criativa, valorizando o saber ouvir. Com efeito, quem não sabe silenciar, enquanto o outro fala, não está em condições de dialogar. De certa maneira, palavra e silêncio, longe de se excluírem, são dois aspectos formadores de linguagem humana. Não existiria a palavra, se não houvesse o silêncio. Ele denota muito mais que a falta de sons e de ruídos: é a essência de toda a linguagem humana, porque representa sua fonte originária e seu fim último, remetendo-nos à presença de Deus. Quem valoriza o silêncio sinaliza o absoluto de seu espírito, fazendo irromper, de repente, de inopino, Deus, ainda que involuntariamente. Não há de negar: os espaços de silêncio possibilitam novo encontro consigo mesmo, com os outros, com a natureza, com Deus. (*) É bispo de Palmeira dos Índios.

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