Opinião
Sem encena��es - Editorial
As idas e vindas das acusações do empresário identificado como cabeça do esquema dos sanguessugas lançam sombras sobre a exatidão das investigações das CPIs. Ao acusar, depois isentar, ao levantar suspeitas e as deixar no ar, esse cidadão apontado como o mentor do golpe da venda superfaturada de ambulâncias exercita algo que alguns parlamentares não se cansam de fazer: usar a denúncia política como elemento de pressão contra desafetos e/ou de atração dos holofotes. Inportante instrumento de trabalho parlamentar, CPIs têm sido usadas e abusadas como palco onde uns conseguem seus minutos de glória, mormente às custas da demolição da reputação de outrem. E às vezes, o resultado das CPIs fica por isso mesmo, uns ungidos como heróis efêmeros, outros marcados como bandidos para sempre. E, como poucos casos têm prosseguimento pelos caminhos usuais da Justiça, fica a impressão de resultado inócuo. Além de umas poucas cassações de mandatos, quais os resultados concretos das recentes (e muitas) CPIs? Onde começava mesmo o valerioduto? Ao fim e ao cabo, mesmo com as cassações de Zé Dirceu e Roberto Jeffersos, nunca se esclareceu nem se dimensionou corretamente a existência do mensalão. E o que mesmo foi apurado acerca das denúncias dos Correios? E aquela CPI, que há mais de quatro anos, circulou o País para desmantelar o crime organizdo ? que fim teve? E agora, as luzes da ribalta iluminam os sanguessugas e algumas degolas poderão alegrar ao público. Mas será essa toda a verdade? E além dos assaltos ao erário denunciados hoje, como operava ontem (o esquema teria sido herdado do governo anterior) esse mesmo grupo especializado no golpe das ambulâncias? As CPIs não deveriam se isolar. É hora do Ministério Público e da Polícia Federal entrarem em cena.