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Opinião

Autenticidade

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| Anilda Leão * Dentro desse mundo repleto de mentiras, hipocrisia e simulação, muita gente se espanta, verdadeiramente, ao se deparar com pessoas autênticas, que fazem questão de assumir sua personalidade como ela é. Sendo a simulação, a meu ver, um dos piores defeitos que pode ter o ser humano, pois procura distorcer o próprio jeito de ser do indivíduo que por vezes teme ferir a sociedade onde vive, a criatura dissimulada sofre por não poder viver a vida exatamente como deseja. Sobretudo por sentir que vai se frustrando cada vez mais por viver de um modo falso e sem sentido. Existe muita gente assim. Gente que cala desejos e emoções, para não ter de ir contra as idéias dos outros, que poderiam não compreendê-los. E assim vão acumulando frustrações que só fazem aumentar com o passar do tempo. Por isso espanta a muita gente a atitude dos que são realmente autênticos. Daqueles que dizem o que têm vontade e na hora que querem; daqueles que falam de amor, se amam, ou de ódio, se odeiam; que se entregam, sem reservas, da maneira que sabem se dar, sem medo de não entrar na bitola dos demais. Autenticidade, coisa difícil de encontrar nesse mundo em que vivemos, emana de uma tal pureza que até lembra criança. E é por isso mesmo que, assim como as crianças, os autênticos são tão impulsivos. Tão verdadeiros, tão eles mesmos que, da mesma maneira que se erguem para dar um beijo, levantam a mão, agressivos, para bater. Assim exija o momento. Gente autêntica é gente boa, embora muitas vezes seja incompreendida. Não usa artifícios ou sofismas. Neles podemos confiar porque sabem ser sinceros e leais. Dizem logo o que sentem, não nos enganam com falsos elogios ou bajulações. Muito, mas muito ao contrário do que estamos a observar, pela televisão, em nossas casas, nesse desfile amorfo de candidatos a qualquer coisa, muitos dos quais sendo capazes de vender a própria mãe para atingir os seus objetivos. Saberemos realmente distinguir, nesse amontoado de pretendentes que a TV acaba tornando informe, aqueles que são autênticos e visam o bem comum? Pois é dessa capacidade de separar o joio do trigo que vai depender o futuro do nosso Estado e do nosso País. Achar que todo político é igual é uma falsa maneira de nos eximirmos da nossa responsabilidade em escolher o melhor. Fiquemos, então, com um olho no programa eleitoral da TV e o outro nas páginas policiais dos jornais. Só por aí já será possível eliminar muito do que não presta. (*) É escritora.

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