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A face oculta dos programas sociais

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| Sérgio Costa * Não é lá muito difícil enxergar a verdadeira face da alma humana. Com efeito, não fiz nenhum esforço psicológico para entender que homem ludibria, por exemplo, porque conhece as fraquezas e não teme a reação dos enganados. Utilizei-me apenas da intuição para descobrir o que se passa por trás dessas políticas de transferências de renda. Concluí o óbvio: há um viés de segundas intenções oculto no subconsciente dos supostos benfeitores políticos. Percebe-se que eles não são solidários ao sofrimento humano, pelo contrário, a distribuição de óbolos governamentais busca um só objetivo: explorar a gratidão dos mais pobres e, como corolário, obter o voto com o qual pretendem eternizar-se no poder. É necessário combater a fome? É. Mas, por outro lado, não podemos esquecer que a perpetuação dessas políticas fisiológicas humilha e entorpece o homem, cujas conseqüências lógicas são: baixo padrão de vida, perda de orgulho e subdesenvolvimento. Esse assistencialismo somente teria um sentido lógico se aos poucos conseguíssemos incorporar os famélicos no mercado consumidor. Mas isso só será possível com crescimento econômico. Porém, para que possamos crescer com qualidade e por longo prazo é necessário que o Estado tome algumas providências éticas a fim de estimular o espírito empreendedor. Como? Assegurando liberdade, igualdade de oportunidade, educação, saúde e amparo jurídico a todos. Só assim vicejarão os dotes naturais, a ambição sadia e a confiança nas instituições do País. Somente assim a consciência andará por conta própria, livre das amarras e das migalhas da insensatez. Mas não é isto que estamos que vendo. As eleições se avizinham e observamos que essa discussão não entra em pauta. O eleitor deve até estar pensando que a mesmice do horário político se trata de uma reprise de imagens. Mas não é. Claro! Como as facções políticas conhecem as vulnerabilidades dos enganados e não temem suas reações, não há interesse de se discutir as verdadeiras causas do nosso retrocesso. E haja promessas! Esse vilipêndio as causas públicas, esse cinismo, essa violência que desce das favelas para o asfalto, esse medo que já faz parte das nossas vidas... Tudo isso me leva a imaginar coisas absurdas. Às vezes penso que, além de roubar o voto, os psicólogos das massas usam as esmolas com outro objetivo não menos ignóbil, qual seja: aplacar as dores do estômago e a raiva como forma de evitar uma revolução organizada dos farrapos humanos. Será que a minha psicologia virou esquizofrenia?! (*) É contador.

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