Opinião
Sobre a mamona - Editorial
O governo passa a implementar programas de incentivo à mamona, como parte das ações de inclusão social, justamente no momento de consolidação do biodiesel no País, com o anúncio de que até 2008 passa a ser obrigatório misturar a todo o óleo diesel consumido no território nacional 2% de biocombustível. E já prevê a necessidade de aumento da produção nacional, atualmente estimada em 840 milhões de litros, para quase 1 bilhão de litros por ano para atender essa demanda, que não será feita apenas com matéria-prima brasileira, mas também com tecnologia nacional. Notícias divulgadas nesta semana dão conta de que somente seis projetos de investimentos na área, analisados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Social e Econômico e Social (BNDES), somam R$ 256 milhões e têm capacidade de produção de 580 milhões de litros do biocombustível. Até o físico José Walter Bautista Vidal acha que a implantação do biodiesel no País vem retomar um trabalho que ficou incompleto por quase trinta anos: o Programa Nacional do Álcool que ele criou na década de 70 como substituto da gasolina e do óleo diesel. Ele defende a viabilidade de se implantar um patamar maior de mistura de biodiesel ao diesel, mesmo porque vê a meta do governo como mixe, com orientações equivocadas, citando, como exemplo, a mamona cuja matéria-prima, segundo ele, custa três vezes mais do que a do óleo diesel. Por mais importância que programas como este tenham, não podem ser colocados em execução sem as indispensáveis garantias quanto a sua viabilidade, desde a disponibilidade e as condições das áreas para plantio, de recursos para incentivos e assistência técnica, capacidade de produção e de atendimento da demanda. Principalmente quando se trata de produtos dos mais valorizados no mercado internacional, como os óleos vegetais.