Opinião
Mudan�as de curr�culo
| Mario Jucá * Para atender as diretrizes do currículo médico propostas em 2001 pelo MEC, houve grandes modificações no currículo médico e no desenvolvimento do trabalho docente. Imaginem o estresse, o trabalho nem tanto, mas os desgastes. Os mesmos monstros que provocam greves para prejudicar os ?filhinhos? da sociedade, agora fazem sem pés, nem cabeça, um currículo maluco que vai de encontro às tradições seculares do mundo em desenvolvimento. Vivo o sonho do desenvolvimento há mais de 40 anos. Desde que entendi o que diziam que ouvia dizer: ?O Brasil é um País em desenvolvimento e em vinte ou trinta anos seria a maior potência mundial. Imagine o tamanho do sonho, agora o tamanho da frustração?. Voltando ao currículo médico, a burocratização do trabalho docente é algo chocante. A universidade é um palco para loucos, que pensam que repetem com clareza idéias e saberes, que nada mais são que o equívoco da irracionalidade. O sociólogo Gilberto Freyre confessa a Fernando Azevedo em uma de suas cartas, que jamais assumiria ?deveres definitivos de professor? e se explica: ?tenho medo de me burocratizar ? e a burocracia pedagógica é a mais esterilizante?. Desse mal sofre minha gata, digo eu. É má a atividade da burocracia pedagógica, o pior tem gente que de tanto ouvir dizer que é assim mesmo, senão vêm as velhas ameaças, próprias de um ambiente competitivo e de imensa desfaçatez, ao ponto do agir e do discurso serem uma peça teatral ou circense, a depender de se sentir um palhaço ou um ator. Estamos nós agora no paradigma da mudança. Ameaçados, fragilizados e inquietos, porque somos membros de comissões, pensadores de processos, coordenadores, supervisores e ainda professores e pesquisadores, uma grande piada, que qualquer contador de estórias ficaria arrodeados de jovens, que poriam seus sonhos com tamanha credulidade. Como bem diz o sociólogo Walter Praxedes da USP, somos docentes-educadores que vivem de reuniões intermináveis, com seu tempo de pesquisa e de ensino roubados. Some-se a tudo isso o tempo dedicado às articulações políticas em defesa ou ataque à sanha competitiva dos pares e encontraremos um pseudo-educador que precariamente pesquisa, escreve e leciona. Hengel deu a sentença de nossa decadência: ?Naquilo com que um espírito se satisfaz, mede-se a grandeza de sua perda?. Estamos perdendo o sentido de ser educadores. A instituição está tomando nossos espaços, com uma demagogia manifesta e cínica, já que faz isso ou aquilo nas nossas costas. (*) É professor da Ufal.