Opinião
Fatores positivos
| HUMBERTO MARTINS * Nenhum empreendedor, na agricultura, indústria e, em menor escala, na área de serviços, cujos negócios alcancem uma dimensão razoável, pode, nos dias atuais, excluir o mercado externo de seus planos. Competência, experiência, baixo custo da mão de obra e vários fatores positivos determinam esse rumo, que supera, com galhardia, as altas taxas de juro e as proporções da carga tributária que vigoram no País. Mesmo eventuais ocorrências negativas, como pragas na agricultura, doenças no criatório, alterações no regime de chuvas e o Real excessivamente valorizado face ao dólar disfarçam essa realidade. O Brasil deverá ultrapassar, este ano, a barreira dos U$ 40 bilhões de saldo, no fluxo importação/exportação. Nem a valorização do Real, que aumenta o preço das nossas exportações, é capaz de alterar esse estado de coisas, que reafirma os aspectos positivos da economia nacional. O empresariado mais experiente está consciente dessa realidade, mas é preciso disseminá-la, consolidando, progressivamente, a posição brasileira de grande produtor e grande exportador. Inclusive porque as estatísticas revelam uma clara trajetória de concentração de participação das grandes empresas no valor total das exportações brasileiras: 74,1%, em 1996, 76,4%, em 2000 e 80,8%, em 2004. Essa é uma missão não apenas dos governos, principalmente do governo federal, como também dos órgãos de classe do empresariado. Mesmo num ano eleitoral, em que os brasileiros estão com suas preocupações voltadas para a escolha do Presidente da República, governadores de Estado, deputados federais e renovação parcial do Senado, não há como se descuidar de uma tarefa tão importante como a de consolidar a política de exportação. Considerando apenas a indústria, as exportações brasileiras dobraram entre 1996 e 2004, segundo a Pesquisa Industrial Anual (PIA) de 2004, promovida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE. Passaram de 10,8% (R$ 38,8 bilhões) para 20,4% (R$ 239,5 bilhões) no período cotejado. E não se trata do êxito isolado desse ou daquele ramo, pois dos 95 segmentos pesquisados, 85 ampliaram significativamente a receita. O desempenho extrativo, de conservas de frutas, legumes e outros vegetais; óleos e gorduras vegetais e animais, produtos do fumo, couro, madeira, celulose e demais pastas para fabricação de papel, ferroligas, siderurgia, metalurgia de não ferrosos; máquinas e equipamentos de uso na extração mineral e construção, fabricação de armas, munições, equipamentos militares e aeronaves responderam por 40% do total exportado. (*) É ministro do STJ.