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Opinião

Ele era uma pessoa especial

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| LUIZ BARROSO FILHO * O professor Ranilson França, recentemente falecido, manteve durante mais de 20 anos, sem patrocínio, o único programa especializado em folclore da radiofonia alagoana: Balançando o Ganzá. Criado para divulgar e preservar nossos folguedos e danças populares mais expressivos, o programa destacava especialmente o trabalho dos mestres e mestras autênticos, responsáveis pela sobrevivência das importantes manifestações do folclore alagoano. Por isso, Ranilson França os tratava com enorme carinho e respeito, transformando figuras anônimas em estrelas do programa, ao anunciar, por exemplo: ?Agora, vamos ouvir o famoso Juvêncio Joaquim dos Santos, grande comandante da maravilhosa Chegança Cruzador São Paulo, de Rio Largo!? Esse era o comportamento observado com todos os outros, com os quais o apresentador mantinha uma relação que se aproximava a de pai e filho, ainda que sua idade fosse apenas de neto de muitos deles, como no caso do mestre Osório, da Viçosa, hoje com quase 90 anos, que teve Ranilson como participante do seu Reisado, numa apresentação na cidade de Belo Horizonte, ocasião em que o folclorista registrou esse improviso do mestre: ?Saiu o nosso Reisado da capitá Maceió, lá do arto do Faró, saímos entusiasmados. Eu avisei pro afigurado, nós vamos assubir os montes. Ternonteonte, ontonteonte, que meu coração magina viva o Estado de Minas, capitá Belo Horizonte!?. A admiração de Ranilson França por esses personagens era incomensurável. Para ele, cada um possuía a mesma importância artística de um astro de renome internacional. Ele dedicava sua vida aos folguedos e não media esforços para ajudar seus componentes, conforme aconteceu com o violeiro e cantador Manoel Neném, que contou com sua assistência até a morte, aos 94 anos de idade, num leito da Casa do Pobre, no Vergel do Lago, no dia 2 de novembro de l980. Manoel Neném que mereceu estudos de Théo Brandão e Aurélio Buarque de Holanda, é autor desses versos: ?Seu doutô, eu pra cantar/ Não faço triste figura/ Abro a boca, estendo o verso/ Tenho rima com fartura/ Meu pensamento é um veio/ Parece com um rio cheio/ Correndo em toda largura?. A dedicação de Ranilson França à Associação dos Folguedos Populares de Alagoas, foi outra marca do seu trabalho em defesa do folclore, demonstrada com a filiação de 26 grupos autênticos, que sob sua liderança promoveu a gravação de um CD antológico reunindo as principais peças e depoimentos dos mais credenciados mestres e mestras locais. (*) É membro da Comissão Alagoana de Folclore e da Academia Maceioense de Letras.

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