Opinião
Um passo adiante - Editorial
Um dos primeiros passos importantíssimos no sentido de recuperação do prestígio do Parlamento brasileiro acaba de ser dado com a aprovação, em primeiro turno, da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que prevê o voto aberto para votações no plenário (exceção à eleição da Mesa Diretora). Como sabemos, a matéria que amplia a votação manifestada de maneira aberta, transparente, no parlamento nacional, ainda será submetida à novas votações na Câmara e depois será votada no Senado, para que tal avanço seja efetivado. Essa decisão corresponde as expectativas da cidadania, que tem reclamado ? com justas razões ? de uma maior transparência nos trabalhos coletivos e nos posicionamentos individuais dos parlamentares, em todos os níveis deste poder representativo. E não há dúvida de que o voto aberto é mais um instrumento legítimo e competente para ampliar a interação entre os eleitores e os eleitos, fazendo com que o trabalho político do deputado ou do senador seja avaliado pela população a cada decisão das casas legislativas. Certamente, o voto aberto, exposto à crítica da opinião pública, auxiliará ao combate e à punição de quem se envolver em casos como mensalões e sanguessugas. Como bem disse o presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo, ?a aprovação do voto aberto foi uma demonstração do amadurecimento da nossa democracia. Ou seja, tornar cada vez mais transparente as decisões da Câmara. Para a população acompanhar o que a Câmara decide e conhecer o voto de cada parlamentar. É um passo importante no sentido da democratização entre a relação da Câmara e a população?. É um passo importante, sem dúvida. Mas apenas um passo numa longa e penosa caminhada contra as armações e manipulações políticas e em defesa da democracia participativa.