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Cani�o e sambur� - Editorial

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Segundo a Organização das Nações Unidas, através de pesquisas da FAO (seu departamento para a agricultura e alimentação), praticamente metade dos peixes consumidos em todo o mundo, hoje, são produzidos em cativeiro. Para um lugar onde a água é farta, como Alagoas, esse dado pode ser uma preciosa indicação. Em estudos realizados no ano de 1980, a aqüicultura contribuía com apenas 9% dos pescados disponíveis no mercado (em todo mundo). Neste 2006, pesquisas semelhantes detectaram 43% de peixes criados em cativeiro dentre o total comercializado. Segundo a FAO, esse percentual equivale a 45,5 milhões de toneladas de peixes de cativeiro por ano, que totalizam cerca de US$ 63 bilhões (aproximadamente R$ 134 bilhões). Um pedaço de mercado de dar água na boca. A FAO estima que, dentro de 25 anos, serão necessários mais 40 milhões de toneladas de alimentos aquáticos para acompanhar o crescimento na demanda. Diz a ONU que o consumo global de peixes continua aumentando, sobretudo entre os países desenvolvidos. Em 2004, eles foram responsáveis pelo equivalente a 81% das importações de peixe em todo o mundo. A única alternativa para suprir o consumo no futuro, segundo o relatório da FAO, é através de cativeiros. Quem tem rios, riachos e lagoas como Alagoas, tem tudo para iniciar um ousado programa de aqüicultura. As tímidas experiências desenvolvidas até hoje mostram que este é um potencial plenamente realizável, mas ? como todo potencial ? para se transformar em realidade, precisa de investimentos de porte e de políticas a médio e longo prazo. A visão de construir um tanque no quintal, ali despejar uns alevinos, e esperar a hora da despesca, é algo rudimentar, ridículo. Alagoas precisa de um projeto estratégico, de grande fôlego, para mergulhar nessas (nossas) piscosas águas.

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