Opinião
A vida contraproducente
| Mario Jucá * Viver a vida lendo livros de auto-ajuda é temerário. A vida não é para se tentar fazer o que o outro diz, mas sim refletir os exemplos, as experiências e reproduzir o seu modo vivendi. A vida condena quem vive sem fazer nada, a vida elimina o falso realizador, fornecendo em suas ações a arma do suicídio. Tenho convivido com pessoas, que não crescem, amadurecem ou sequer evitam ser ?a pedra no caminho?. Temos que aprender a viver com as limitações, sem que se tornem ameaças. Conheço pessoas no convívio laboral, que vivem pensando como prejudicar, impedir, destruir e dificultar. Ora caríssimas leitoras e leitores, ninguém consegue ter avanço interior com pensamento de malvadez. Precisa-se refletir o casuísmo, o falso idealismo, o fanatismo, enfim, as artes que levam ao mal. Coloco-me neste instante como filósofo progressista, que acredita em uma ética universal, onde os princípios da honestidade e da equidade em todos os níveis de relação podem levar a um estado de arte de vida, onde ?os nada têm? possam resgatar a cidadania. Não se pode viver o mundo da amargura porque passou a vida trilhando caminhos sem produção, sem realizações, apenas de regozijo pessoal, levando a vida como uma bola, dentro do quarto, onde não se podem desenvolver os lances, mas dá a falsa impressão de que está no jogo. Erro crasso de avaliação. Pensar certo seria o caminho para as pessoas poderem melhorar suas vidas contraproducentes, mas, como diz Paulo Freire, só se pensa certo, quando se age certo, uma relação de coerência interna, do contrário todos evidenciam que o discurso não tem nada a ver com a prática e passam a conviver com reticências, com aquele nada da vida, que se considera o bambambã. Há evidências que cada vez mais os comportamentos sociais são esquisitos e muitos não conseguem identificar os sociopatas. Pode parecer redundante tocar em sociopatas, quando tenho falado e escrito tanto sobre o assunto. É porque as pessoas parecem não valorizar o problema, a não ser quando começam a ser vítimas dessas pessoas. Comportamentos esquisitos são vistos em todos os níveis sociais. O sociopata tem poucos amigos e se isola em si mesmo, achando que os outros giram em seu redor. É o epicentro das relações, uma pessoa que todos invejam e a outra parte admira e venera. Pronto! Identificou um perto de você? Lógico, todos temos. A rebeldia dessas pessoas são mecanismos de defesa, para que outrem não identifique suas fraquezas e seus fracassos. (*) É professor de Medicina da Ufal, médico e escritor.