Opinião
Letargia sustentada - Editorial
Diz o IBGE que, no mês de julho, a produção industrial brasileira cresceu em nove dos 14 locais pesquisados (comparando com o mês anterior). O IBGE não disse, no resumo sobre sua pesquisa, qual a posição de Alagoas - mas como não fomos citados nesse primeiro apanhado, podemos imaginar que nosso Estado não está incluso entre os que galgaram melhores posições no ranking produtivo. No comparativo entre junho e julho deste ano, a região Nordeste, como um todo, cresceu apenas 1,9% e, neste universo, o melhor resultado foi obtido pelo Ceará (+2,2%). Segundo este mesmo estudo do IBGE, no apurado entre julho de 2006 e julho de 2005, dez locais registram aumento de produção industrial (aqui o destaque nacional ficou com o Pará, que cresceu sua produção em 22,8%). O Nordeste, como um todo, nestes 12 meses, cresceu apenas 2,6% - embora o Ceará tenha alcançado o índice de 13,1%. Neste levantamento anual, também Alagoas não foi incluída, mas pela média nordestina, podemos presumir que a coisa não foi boa. Antes mesmo de ter acesso a algum estudo mais detalhado, que exponha a realidade alagoana e a compare com o quadro nacional, a perspectiva não é das melhores e já deveria estimular os poderes públicos e a iniciativa privada a pensarem como mudar esta realidade (além dos discursos). Afinal, não podemos almejar melhores dias sem avançar na produção - avanço este que teria de ser acompanhado por um processo de desenvolvimento sustentável. Atravancada, a economia alagoana continua sem descortinar novos horizontes, e nossos potenciais seguem como potenciais (desgastando-se ao longo dos tempos). Faz-se necessário uma nova atitude do poder público, em parceria com o empresariado, para mudar essa dura realidade. Desgraçadamente, só aparenta ter crescido em Alagoas o indesejado produto do crime organizado.